Consultor diz que Brasil é líder em qualidade total
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quarta-feira, 18 de junho de 1997
Cristine Pieske Curitiba 
O Brasil é atualmente o País com o maior número de empresas que empregam os conceitos de qualidade total, superando até mesmo os países asiáticos. Com um modelo próprio adaptado da filosofia americana de Total Quality Control (TQC), mais próximo do sistema japonês, o Brasil lidera o ranking dos países interessados em ampliar produção, diminuindo custos desnecessários e aumentando os lucros.
O professor Vicente Falconi Campos, da Fundação Christiano Ottoni, considerado um dos papas da qualidade total no País, acredita que o interesse brasileiro no método surgiu assim que a globalização da economia se tornou realidade. Depois de viver anos fora do eixo mundial de negócios, os empresários brasileiros teriam abraçado a causa da qualidade para tentar sobreviver à competição mundial.
A vontade de mudar o estado normal das coisas é muito grande no Brasil, diz o professor Falconi, que esteve ontem em Curitiba no Seminário Avançado para Gestão Empresarial, promovido pela Associação das Empresas de Curitiba (Aecic). Falconi comenta que a abertura da economia representou uma ameaça real às empresas, facilitando a adoção dos padrões de qualidade total também pelos empregados das instituições.
Ele discorda dos críticos que consideram o método apenas um modismo, e acredita que a mudança comportamental trazida pela qualidade total será definitiva. Se estiver dando certo, as pessoas vão passar a gostar ainda mais de trabalhar de maneira diferenciada, diz Falconi. Ele cita exemplos de grandes empresas brasileiras, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que após adotar o método de gestão diferenciada saiu de um quadro de prejuízo para fechar o ano com lucro. Até mesmo alguns sindicatos do País, segundo o professor, adotaram o sistema.
O professor descarta a possibilidade de o método de qualidade total ser substituído, a longo prazo, por outro sistema de gestão. Ele acredita que no Brasil, onde a invenção americana foi mesclada ao modo japonês de avaliar o processo administrativo, a qualidade total nunca será vista como uma interferência negativa no trabalho. Nos Estados Unidos, a exploração exaustiva do tema chegou a gerar críticas, como a bem-humorada reprodução do cotidiano de uma empresa feita pelo cartunista Scott Adams, com o personagem Dilbert.
Nossa maneira de tratar do assunto é diferente, avisa. No Brasil, segundo Falconi, a qualidade total tem trazido vantagens, percebidas pela sociedade. A qualidade também pressupõe uma mudança cultural, sugere.


