Quem tem planos de subir no trabalho deve fazer uma análise criteriosa para identificar se as atividades que são desenvolvidas revertem em prazer. Se a resposta for negativa, são poucas as possibilidades de alcançar o sucesso profissional. O alerta é de Flávio de Almeida Prado, que, como ele mesmo se define, é consultor especializado em prazer no trabalho. ‘‘Ainda é muito comum o prazer ser associado com algo libidinoso ou proibido, e as pessoas esquecem que, sem ele, o grau de interesse pelo que é feito diminui e, portanto, o risco de algo ser malfeito aumenta.’’
Segundo a teoria de Prado, o prazer no trabalho reverte em facilidade no aprendizado, que, por sua vez, leva à maior eficiência e resulta em crescimento profissional. ‘‘Quem alcançou o sucesso é porque tem prazer no que faz.’’ Ele explica que, na hipótese de alguém constatar que está descontente com suas atribuições, é fundamental procurar o chefe para verificar a possibilidade de sua transferência para outra área ou departamento.
Na impossibilidade de que isso seja feito, Prado é de opinião que o profissional deve procurar emprego em outra empresa, onde acredite que vai ter condições de trabalhar com mais prazer. ‘‘A outra opção é ficar onde está e contentar-se em ser medíocre.’’
Efeitos Além da falta de perspectivas de crescimento profissional, outra consequência da falta de prazer no trabalho é sobre o dia-a-dia da empresa. A concorrência cada vez mais acirrada está levando companhias de vários setores a concentrar esforços para não perder a freguesia e, ao mesmo tempo, conquistar novos clientes. Geralmente, isso é feito por meio da oferta de serviços diferenciados e da melhoria de qualidade, ações que, apenas em parte dos casos, costumam dar resultados positivos.
A razão para que nem sempre elas surtam o efeito desejado é que, muitas vezes, os esforços nesse sentido esbarram na falta de estímulo dos funcionários em ‘‘batalhar’’ para impedir que a empresa perca mercado para os concorrentes. O desinteresse pode ser decorrente de diversos motivos, como condições inadequadas de trabalho ou inexistência de alguns benefícios, entre eles planos de saúde e odontológico (veja ao lado), mas, de acordo com Prado, tem origem principalmente na ausência do prazer no local de trabalho.
É exatamente para tentar evitar que isso ocorra que algumas empresas estão contratando os seus serviços. Está na sua lista de clientes uma grande rede de supermercados, que, após chamá-lo para proferir palestras em uma de suas unidades, decidiu estender esse trabalho a outras lojas. ‘‘Após as palestras, constatamos uma redução significativa no índice de reclamações em relação aos caixas’’, comenta o gerente de uma das unidades da rede.

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