Consultor defende o prazer no trabalho
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de março de 1998
Agência Estado 
Quem tem planos de subir no trabalho deve fazer uma análise criteriosa para identificar se as atividades que são desenvolvidas revertem em prazer. Se a resposta for negativa, são poucas as possibilidades de alcançar o sucesso profissional. O alerta é de Flávio de Almeida Prado, que, como ele mesmo se define, é consultor especializado em prazer no trabalho. Ainda é muito comum o prazer ser associado com algo libidinoso ou proibido, e as pessoas esquecem que, sem ele, o grau de interesse pelo que é feito diminui e, portanto, o risco de algo ser malfeito aumenta.
Segundo a teoria de Prado, o prazer no trabalho reverte em facilidade no aprendizado, que, por sua vez, leva à maior eficiência e resulta em crescimento profissional. Quem alcançou o sucesso é porque tem prazer no que faz. Ele explica que, na hipótese de alguém constatar que está descontente com suas atribuições, é fundamental procurar o chefe para verificar a possibilidade de sua transferência para outra área ou departamento.
Na impossibilidade de que isso seja feito, Prado é de opinião que o profissional deve procurar emprego em outra empresa, onde acredite que vai ter condições de trabalhar com mais prazer. A outra opção é ficar onde está e contentar-se em ser medíocre.
Efeitos Além da falta de perspectivas de crescimento profissional, outra consequência da falta de prazer no trabalho é sobre o dia-a-dia da empresa. A concorrência cada vez mais acirrada está levando companhias de vários setores a concentrar esforços para não perder a freguesia e, ao mesmo tempo, conquistar novos clientes. Geralmente, isso é feito por meio da oferta de serviços diferenciados e da melhoria de qualidade, ações que, apenas em parte dos casos, costumam dar resultados positivos.
A razão para que nem sempre elas surtam o efeito desejado é que, muitas vezes, os esforços nesse sentido esbarram na falta de estímulo dos funcionários em batalhar para impedir que a empresa perca mercado para os concorrentes. O desinteresse pode ser decorrente de diversos motivos, como condições inadequadas de trabalho ou inexistência de alguns benefícios, entre eles planos de saúde e odontológico (veja ao lado), mas, de acordo com Prado, tem origem principalmente na ausência do prazer no local de trabalho.
É exatamente para tentar evitar que isso ocorra que algumas empresas estão contratando os seus serviços. Está na sua lista de clientes uma grande rede de supermercados, que, após chamá-lo para proferir palestras em uma de suas unidades, decidiu estender esse trabalho a outras lojas. Após as palestras, constatamos uma redução significativa no índice de reclamações em relação aos caixas, comenta o gerente de uma das unidades da rede.


