Consultor defende 'GPS do bolso'
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de março de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O grande problema da maior parte dos brasileiros é falta de disciplina e de planejamento e não de dinheiro. E um dos maiores pecados é a pessoa não saber quanto ganha no ano. Não basta fazer essa conta por mês. Estes pontos são a base do planejamento financeiro pessoal, segundo o personal finance, Augusto Sabóia, que participou ontem da Expo Money, evento de educação financeira e investimentos, que terminou ontem em Curitiba.
Ele disse que, em dezembro, é hora de decidir tudo que a pessoa pretende comprar no próximo ano. Um dos exemplos que ele utilizou é em relação ao vestuário. ''Tire todas as roupas do guarda-roupa, coloque no chão e faça as combinações'', disse. Se ao fazer isso, a pessoa chega à conclusão que faltam duas calças e três blusas de lã, estes são os itens que ela deve comprar ao longo do ano e não sair consumindo tudo que vê no shopping, sem necessidade.
Um dos primeiros passos para fazer o planejamento, segundo ele, é realizar o ''GPS do bolso'', ou seja, Depois esses gastos devem ser separados por centros de despesas como habitação, férias, escola, saúde, vestuário, transportes, entre outros. Essa planilha de despesas deve ser acompanhada durante três a seis meses para verificar o dinheiro que sobra.
Em seguida, é preciso definir os projetos que a pessoa tem como fazer um mestrado, uma viagem, comprar uma casa na praia. ''O sonho é o objetivo'', disse. Segundo ele, não pode existir dinheiro sobrando. Essa folga de caixa deve ser aplicada em previdência privada para a aposentadoria e em poupanças de curto e médio prazos. ''Com dinheiro sobrando, você vai no shopping e faz besteira'', destacou. ''Temos que ser mais agressivos em poupar'', enfatizou.
Segundo ele, o solteiro que mora com os pais tem condições de guardar 60% do que ganha. Os casais sem filhos 30% a 40% e, quem tem filhos, cerca de 10%. Sabóia disse que é necessário ser muito criativo com a reserva de dinheiro.
Para o consultor, o planejamento para as compras é a coisa mais importante. Outro ponto importante é saber quanto a pessoa vai querer ter na aposentadoria para começar a poupar desde jovem. Há outros objetivos que também devem ser previstos como os gastos com um mestrado ou com a faculdade dos filhos. Se a pessoa pretende trocar de carro, por exemplo, deve começar a fazer uma reserva para chegar a esse objetivo.
''Você só vai ficar rico se arriscar. Esse arroz com feijão de trabalhar para pagar as contas é coisa de doido'', afirmou. Ele defende que a pessoa encontre formas sempre de ganhar mais, tendo mais de um trabalho ou mesmo fazendo bicos.
O diretor técnico da Associação dos Analistas de Investimentos, Marco Martins, disse que 80% do orçamento das famílias é realizado no impulso. ''Há confusão entre necessidade e desejo'', destacou. Ele defende o corte de supérfluos como reduzir a conta de celular e apagar luzes desnecessárias em casa.
''O brasileiro se endivida muito e mal'', afirmou Martins. Outra dica dele é verificar quanto custa cada dívida. As mais caras são cheque especial e cartão de crédito.
Para quem tem um rendimento maior pode recorrer a ajuda de um personal finance que cobra 1% do patrimônio familiar ao final do trabalho mais R$ 250 a R$ 300 por hora para prestar a consultoria.
Hoje Sabóia se classifica como uma pessoa controlada. Aos 26 anos conseguiu atingir o primeiro milhão de dólares mas, aos 33 anos, estava quebrado por conta de diversos gastos sem planejamento. ''Demorou oito anos para eu chegar ao segundo milhão'', contou. E, para isso, foi necessário fazer pós-graduação, MBA, entre outras coisas. ''Tem que estudar o resto da vida, senão você está fora do mercado'', disse.


