O início da inflação no Brasil começou há 45 anos, durante o governo de Juscelino Kubitschek. Foi o preço que o País pagou pelo ''progresso de 50 anos em cinco'', programa governamental de JK. A opinião é do alemão, naturalizado brasileiro, o consultor internacional de empresas e governos, Wolfgang Sauer. Ex-presidente da Volkswagen do Brasil e da holding Autolatina, Sauer, conhece o Brasil desde a década de 60. Ele ministrou ontem, em Curitiba, uma palestra sobre as metas de JK para os membros da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha.
''Foi JK quem deu início ao processo de modernização do Brasil. Transformou o perfil do País de agrícola para industrializado, abrindo fronteiras tanto no âmbito nacional quanto internacional'', disse Sauer. Foi o mentor, complementou, do desenvolvimento econômico e sócio-cultural do País. ''No governo dele surgiram as primeiras usinas hidrelétricas do Brasil, mas a que preço?'', questionou Sauer.
''Alguém tinha que pagar a conta e a conta foi a inflação'', completou. Na opinião de Sauer, JK pecou ao não construir obras de infra-estrutura para o País, que, na opinião dele, é a base do desenvolvimento sólido de uma nação. ''Exemplo disso, é a crise energética pelo qual o Brasil está passando'', afirmou. Para Sauer, o processo de privatizações no Brasil começou tarde demais. ''Isso é progresso. Mas os sucessores de JK continuaram insistindo nos mesmos erros'', avaliou. O estado tem que eliminar os problemas sociais dando educação e saúde para o povo, segundo ele.
''Viajo pelo Brasil e percebo que os problemas são sempre os mesmos. O lixo e a água, por exemplo, não conheço uma cidade brasileira que tenha conseguido sanar estes problemas'', avaliou.
Sauer acredita que o Brasil pode reverter a situação econômica. ''Tanto que esse último empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) foi de US$ 15 milhões. O Brasil tem crédito porque pode gerar recursos . Já a Argentina não conseguiu empréstimo com o FMI porque não tem credibilidade. Não teria como pagar a dívida futuramente'', concluiu.
Sauer esteve ontem ainda em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, visitando a Ordem Militar de Malta, entidade internacional da qual é embaixador. Esta entidade presta assistência hospitalar, humanitária e social e, em Piraquara, desenvolve o Programa Fraternitas, de apoio a portadores de hanseníase.

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