Aumentar o nível de poupança com o objetivo de aproveitar os juros altos, reduzir ao máximo os débitos atrelados às taxas flutuantes e evitar qualquer dívida prefixada. Estas são as dicas do economista e consultor Rodrigo Marques de Almeida, da Queluz Asstmanagement, de São Paulo, para os investidores nestes dias de apreensão e incertezas. O momento pode ser promissor para quem dispõe de alguma reserva, mas está inseguro com medo de desvalorização cambial. Para o consultor, o cenário não é tão dramático. Este clima de incerteza deve durar mais 30 dias, com manutenção de altas taxas, mas também com a crescente recuperação do mercado de capitais.
A procura do dólar no mercado paralelo como forma de se garantir contra possíveis intempéries é condenada pelo economista. ‘‘O investimento na moeda americana é a alternativa para quem aposta no caos’’, define. Segundo ele, a rentabilidade da moeda americana é quase nula. Ele recomenda investimento em fundos com variações atreladas ao overnight, como os fundos DI de 30 ou 60 dias. Embora tenham um período de carência, rendem taxas interessantes e acompanhariam uma possível desvalorização. Dessa forma, explica o economista, até para quem está desconfiando do cenário atual, estes fundos representam alternativa segura para o investidor. ‘‘Ainda que ocorresse o caos, o governo teria que manter as altas taxas, até porque elas estarão sendo forçadas pela desvalorização da moeda’’.
As bolsas também abrem um leque interessante para quem deseja entrar no chamado mercado de risco. O preço das ações está baixo, o que significa oportunidades para o novo investidor. Quem já opera, entende o economista, deve manter a aplicação por pelo menos mais 20 dias porque a tendência é de correção de valores perdidos. No pregão da última sexta-feira, isto já começou a ser visualizado, com o fechamento do índice Bovespa em alta de 13,3%. ‘‘Estamos esperando uma correção técnica, isto significa que teremos uma semana melhor’’, antecipa.
Ao mesmo tempo que o mercado de ações representa oportunidade, é preciso cautela. Segundo Almeida, a recomendação é de aplicação até um teto de 10% do total do patrimônio. Devido às taxas cobradas pelos administradores, este mercado só se torna interessante para quem tem mais folga, ou pelo menos R$ 150 mil para aplicar. Valores menores, entende o consultor, é melhor que sejam canalizados para os fundos DI, que asseguram, em média, rentabilidade melhor que a da caderneta de poupança.
Se por um lado as taxas podem ser atrativas, quem deve pode se preparar para prejuízos. Dever no cheque especial é mau negócio, portanto a recomendação é fugir de usar o limite e se antecipar em quitar a dívida, no caso de já estar no vermelho. Os mutuários também podem se preparar para um salto nos valores da prestação num primeiro momento. A maioria dos contratos de financiamento são atrelados à TR, o que implica aumento já a partir deste mês. Para Almeida, mesmo com esta elevação dos juros, não é negócio tirar o dinheiro para abater a dívida ou mesmo quitá-la. Os valores das prestações podem permanecer altos pelos próximos seis meses, mas retornarão em seguida às taxas normais. ‘‘Quem tem dinheiro aplicado e paga prestação tem de entender que uma coisa compensa a outra’’.

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