Apesar de as cotações da soja terem recuado cerca de 10% em dólar desde a flexibilização do câmbio, os preços em real subiram 21%, acompanhando a desvalorização da moeda brasileira. Ontem, a saca de 60 kg, era cotada entre R$ 15,00 e 15,50 no mercado de lotes e R$ 14,00 e R$ 14,50 ao produtor no Norte do Paraná. Para abril, o mercado futuro aponta para a saca US$ 9,00, ou R$ 16,20, considerando que o dólar fechou ontem, no comercial, cotado a R$ 1,80.
Segundo o consultor de mercado agrícola, da Carraro Agrobusiness, de Maringá, Carlos Alberto Carraro, este ganho com a desvalorização do real deve ser levado em conta apenas pelos produtores que têm dívidas de custeio em real. ‘‘Aqueles que plantaram com recursos próprios, fixando as dívidas em dólar, não terão estes mesmos ganhos, porque as dívidas crescem na mesma proporção que o preço da soja’’, comentou.
Ontem, segundo Carraro, a Bolsa de Mercadorias & Futuros negociou 15 mil lotes, movimentando US$ 1,5 bilhão nos contratos de 1º março, quando o dólar foi fixado na faixa de R$ 1,72. ‘‘O mercado não aposta em uma alta expressiva do dólar, e estamos nos baseando em negócios concretos’’, comentou.
O consultor afirmou que como o mercado de dólar trabalha com expectativa de estabilidade da moeda americana, os produtores de soja podem calcular quantas sacas serão necessárias para saldar dívidas de custeio em real. Por isso, ele aconselha aos produtores a fixarem no mercado futuro a quantidade de sacas de soja suficiente para saldar seus compromissos. Como o Banco Central entrou no mercado ontem através do Banco do Brasil o mercado ficou um pouco mais calmo. ‘‘Sabendo que o mercado tem um teto, existe possibilidade de o dólar recuar’’, observou Carraro.
CAFÉ Já para os produtores de café, segundo Carraro, não há muitas expectativas de melhora de preços. As cotações do produto subiram em média 20% em real, mas recuaram em dólar. Segundo Carraro, as cotações do café antes das mudanças no câmbio estavam em US$ 137,00/saca, e ontem fecharam em US$ 120,00 na BM&F para março. ‘‘Mas a queda em dólar não afeta as altas internas’’, observou.
O consultor disse que neste momento os produtores não têm muitos motivos para segurar suas ofertas. Segundo Carraro, os produtores devem se lembrar que os estoques do Brasil somam cerca de 20 milhões de sacas, e que a safra deste ano deve ficar entre 23 e 24 milhões de sacas, o que garante oferta do produto. E os Estados Unidos, mesmo com demanda aquecida, subiram seus estoques em 140 mil sacas no último mês, chegando a 1,408 milhão de sacas. ‘‘Por isso os produtores devem aproveitar este momento para vender e aproveitar a alta do dólar’’, comentou. O café de bebida dura, atingiu R$ 170,00 e o rio R$ 142,00 ontem.ArquivoCarraro: soja recuou 10%, em dólar, desde a flexibilização do câmbioGuto Rocha

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