Marcos BorgesPalestraO consultor J.C. Bemvenutti falou para cerca de 800 pessoas ontem em Londrina: ousadia e mudançasTrocar a segurança pela ousadia é um dos desafios para empresários que querem enfrentar as mudanças e se manter no mercado. Quem abordou esse assunto no 2º Fórum de Recursos Humanos, em Londrina, foi o consultor J.C. Bemvenutti, especialista no fator humano das empresas, que já trabalhou para grandes empresas como American Express, Antarctica, Citibank, DPZ. Ford, Petrobrás, Shell e muitas outras. O evento, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH/PR - Regional Norte), reuniu cerca de 800 empresários e profissionais de RH no recinto José Garcia Molina, no Parque de Exposições Ney Braga.
Bemvenutti lembrou que a nova geração de empresários foi criada para a segurança. ‘‘Hoje não existe mais garantia de emprego. A única forma de garantir o emprego é garantindo o cliente’’, diz. Garantir o cliente, segundo Bemvenutti, deveria ser o lema de todos os funcionários da empresa, independente do cargo que ocupa. ‘‘A maioria das empresas cria setores de atendimento ao consumidor, mas não entende o que isso significa. Tecnicamente até entende, mas na prática, não’’, ressalta.
A diferença entre entender e vivenciar a mudança foi bastante enfatizada por Bemvenutti. ‘‘Temos que mudar visceralmente e não apenas racionalmente. Entender é fácil, viver é que são elas’’, afirma. Para mudar de fato, Bemvenutti diz que é preciso sair da ‘‘zona do conforto’’, daquilo que deu certo até agora, e recriar o ‘‘mapa’’ do trabalho. ‘‘Não adianta traçar novas rotas num mapa velho. É preciso recriar o mapa’’.
Para explicar o que significa recriar o mapa, Bemvenutti lança mão de exemplos familiares. ‘‘Não adiante usar o mesmo mapa traçado para educar uma criança com o filho que chegou na adolescência. O mercado do Brasil também saiu da infância e entrou na adolescência. E o adolescente reclama, é exigente, devolve o que recebeu se não gostou.’’ Bemvenutti diz ainda que é preciso levar em conta a concorrência, talvez antes inexistente, e as necessidades do cliente. ‘‘Se alguém dissesse há dez anos que a HM (Hermes Macedo) enfrentaria problemas no futuro, ninguém daria crédito. Mas a empresa ficou no esquema antigo, não trocou de mapa, apenas traçou novas rotas. Isso não basta’’.
Bemvenutti lembrou também a falta de cerveja, em época de carnaval, e de carros, num passado recente. ‘‘Era preciso paparicar o vendedor para ser bem atendido, para conseguir comprar um produto. Hoje mudou. E não adianta relembrar os velhos tempos. Não é fácil porque as pessoas não querem sair do padrão e ousar’’.
Essa ousadia é necessária, segundo ele, para adotar idéias novas. ‘‘As idéias criativas e inovadoras são simples’’.
Durante todo o dia de ontem, no Fórum, os participantes também ouviram palestras de Waldez Ludwig, Marco Aurélio F. Vianna e Luiz Marins.

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