Consultor aconselha empresário a trocar segurança pela ousadia
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quarta-feira, 10 de setembro de 1997
Carina Paccola 
Marcos BorgesPalestraO consultor J.C. Bemvenutti falou para cerca de 800 pessoas ontem em Londrina: ousadia e mudançasTrocar a segurança pela ousadia é um dos desafios para empresários que querem enfrentar as mudanças e se manter no mercado. Quem abordou esse assunto no 2º Fórum de Recursos Humanos, em Londrina, foi o consultor J.C. Bemvenutti, especialista no fator humano das empresas, que já trabalhou para grandes empresas como American Express, Antarctica, Citibank, DPZ. Ford, Petrobrás, Shell e muitas outras. O evento, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH/PR - Regional Norte), reuniu cerca de 800 empresários e profissionais de RH no recinto José Garcia Molina, no Parque de Exposições Ney Braga.
Bemvenutti lembrou que a nova geração de empresários foi criada para a segurança. Hoje não existe mais garantia de emprego. A única forma de garantir o emprego é garantindo o cliente, diz. Garantir o cliente, segundo Bemvenutti, deveria ser o lema de todos os funcionários da empresa, independente do cargo que ocupa. A maioria das empresas cria setores de atendimento ao consumidor, mas não entende o que isso significa. Tecnicamente até entende, mas na prática, não, ressalta.
A diferença entre entender e vivenciar a mudança foi bastante enfatizada por Bemvenutti. Temos que mudar visceralmente e não apenas racionalmente. Entender é fácil, viver é que são elas, afirma. Para mudar de fato, Bemvenutti diz que é preciso sair da zona do conforto, daquilo que deu certo até agora, e recriar o mapa do trabalho. Não adianta traçar novas rotas num mapa velho. É preciso recriar o mapa.
Para explicar o que significa recriar o mapa, Bemvenutti lança mão de exemplos familiares. Não adiante usar o mesmo mapa traçado para educar uma criança com o filho que chegou na adolescência. O mercado do Brasil também saiu da infância e entrou na adolescência. E o adolescente reclama, é exigente, devolve o que recebeu se não gostou. Bemvenutti diz ainda que é preciso levar em conta a concorrência, talvez antes inexistente, e as necessidades do cliente. Se alguém dissesse há dez anos que a HM (Hermes Macedo) enfrentaria problemas no futuro, ninguém daria crédito. Mas a empresa ficou no esquema antigo, não trocou de mapa, apenas traçou novas rotas. Isso não basta.
Bemvenutti lembrou também a falta de cerveja, em época de carnaval, e de carros, num passado recente. Era preciso paparicar o vendedor para ser bem atendido, para conseguir comprar um produto. Hoje mudou. E não adianta relembrar os velhos tempos. Não é fácil porque as pessoas não querem sair do padrão e ousar.
Essa ousadia é necessária, segundo ele, para adotar idéias novas. As idéias criativas e inovadoras são simples.
Durante todo o dia de ontem, no Fórum, os participantes também ouviram palestras de Waldez Ludwig, Marco Aurélio F. Vianna e Luiz Marins.


