Consultor aconselha cliente a acompanhar débitos bancários
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quarta-feira, 16 de dezembro de 1998
Marcos NegriniRodrigues, consultorMarcos Zanatta 
O consultor Paulo Afonso Rodrigues disse ontem em Maringá que os clientes dos bancos devem ficar atentos aos descontos promovidos em suas contas correntes. A primeira observação, segundo ele, é ver se a cobrança direta está dentro do que foi pactuado com o banco. O correntista deve ficar atento se as taxas praticadas pela instituição estão também dentro da realidade de mercado, alerta. Se os descontos estiverem fora do que foi contratado, ou fora da realidade de mercado, o cliente deve reclamar com a gerência.
O ideal, segundo Rodrigues, é o correntista evitar ao máximo os serviços e produtos oferecidos pelos bancos. Se puder o cliente deve trabalhar com banco apenas com o cartão magnético, diz. Os descontos indevidos, feitos pelos bancos com maior intensidade a partir do Plano Real, podem representar em alguns dias a inflação de um ano inteiro. Como o cliente brasileiro não tem instrução suficiente para se familiarizar com o mercado bancário, acaba sendo uma vítima fácil, diz Rodrigues.
Ele compara que, enquanto no Brasil apenas 17% das pessoas físicas com potencial possuem conta bancária, nos países desenvolvidos a média fica entre 70% a 80%. Com a diferença de que lá o correntista sabe muito mais seus direitos e os bancos respeitam, garante. Tudo isso, continua, está atraindo os bancos estrangeiros, que a cada dia compram mais instituições nacionais. Existe uma expectativa de crescimento de 50% no número de correntistas a médio prazo no País, afirma.
Para se defender, continua Rodrigues, os clientes devem estar atento aos extratos. Qualquer desconto fora do padrão deve ser contestado. Ele lembra que alguns bancos cobram 8% sobre 20 dias de uso do cheque especial, a mesma variação do salário mínimo em um ano. Quando a conversa com o gerente não dá retorno, a saída é o cliente buscar seus direitos, aconselha.
O primeiro passo é reunir os documentos, entrar com reclamação no Procon e se necessário contratar um advogado. Muitas vezes o banco quer pagar o valor cobrado no extrato, deixando de corrigir o dinheiro do cliente, enquanto pratica juros altos para tudo, lembra.


