Rio de Janeiro - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), Guido Mantega, acredita que a crise política dos últimos meses não afetou a intenção dos investimentos no País. Segundo ele, os números do banco estatal de fomento referentes a junho, divulgados ontem, mostram aumento em todos os indicadores, especialmente nas consultas, que são a primeira das quatro etapas de análise até a liberação de recursos. Segundo o banco, foram R$ 12,011 bilhões, com aumento de 225% sobre junho de 2004.
  ‘‘Como o BNDES é responsável por 60% dos financiamentos em investimentos de longo prazo no País, isso mostra a disposição de investir’’, observou. Os enquadramentos cresceram 105% (R$ 9,758 bilhões em junho), as aprovações subiram 23%
(R$ 4,968 bilhões) e os desembolsos tiveram aumento de 20% (R$ 4,903 bilhões).
  Apesar da recuperação nos últimos meses, Mantega foi cauteloso em prever se o banco desembolsará os R$ 60 bilhões previstos em seu orçamento para este ano, já que ainda falta desembolsar R$ 40 bilhões, ou cerca de R$ 6,7 bilhões ao mês. ‘‘No segundo semestre há aumento da demanda’’, observou. Além disso, ele considera que a redução no spread que o banco promoveu em meados do semestre passado para os empréstimos ao setor de bens de capital também está atraindo mais empresas.
  Mantega admitiu que parte do aumento nas consultas ao banco pode ser uma mera substituição de empréstimos externos, já que as empresas brasileiras estão preferindo quitar suas dívidas em dólar, em vez de renovar as operações. ‘‘É possível que isso esteja ocorrendo, mas não sei mensurar o quanto isso monta’’, afirmou. Ele considera, porém, que esse movimento ‘‘é saudável’’, já que as empresas estão substituindo risco em dólar por custos em moeda local.
  O presidente do BNDES foi reticente quanto à proposta do deputado Delfim Netto (PP-SP) de déficit nominal zero para as contas públicas. ‘‘A meta não pode ser alcançada através do corte dos investimentos na área social ou nos recursos aplicados em investimentos’’, defendeu.

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