Consulta para financiamento no BNDES tem redução de 75,7%
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sexta-feira, 22 de março de 2002
Agência Estado 
Rio - O grande volume de operações que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou em janeiro não se repetiu em fevereiro. As consultas, primeiro passo das quatro etapas necessárias para se conseguir recursos da principal fonte de financiamento de longo prazo no País, totalizaram R$ 1,9 bilhão em fevereiro, com queda de 75,7% em relação aos R$ 7,9 bilhões contabilizados em janeiro.
Boa parte do volume de janeiro, na verdade, seria ainda remanescente do ano passado e foi transferido para o início deste ano. Também os enquadramentos (pré-aprovação) foram menores em fevereiro, atingindo R$ 1,1 bilhão, o que representa redução de 82,5% em relação ao observado em janeiro.
As aprovações (terceira etapa) registraram queda de 53,9%, totalizando R$ 2,2 bilhões, ante os R$ 4,9 bilhões de janeiro. Só os desembolsos tiveram crescimento no mês passado, atingindo R$ 2,65 bilhões, o que representa acréscimo de 36,6%. Nesse total, porém, estão inclusos o R$ 1,1 bilhão que a instituição repassou às empresas do setor elétrico por conta dos prejuízos resultantes do racionamento de energia elétrica no ano passado.
Sem essas operações, até os desembolsos de fevereiro teriam ficado abaixo dos de janeiro, que somaram R$ 1,94 bilhão.
As operações do BNDES continuam fortemente concentradas em poucos segmentos, especialmente na área de energia, transporte aéreo (clientes da Embraer), veículos automotores (caminhões e ônibus para exportação) e produtos alimentares. Dos R$ 7,1 bilhões das aprovações nos dois primeiros meses do ano, por exemplo, R$ 5,5 bilhões foram alocados para esses segmentos. O setor de energia absorveu R$ 4,6 bilhões desse total, ilustrando a corrida de projetos em resposta à convocação do governo para investimentos no setor.
Os demais 35 segmentos da economia repartiram R$ 1,6 bilhão das aprovações. No caso dos desembolsos, a concentração é menos acentuada. Nos dois meses, os desembolsos somaram R$ 4,5 bilhões, dos quais 54% foram alocados nesses segmentos (R$ 2,1 bilhões).
Os dados do BNDES mostram que o setor industrial, que em 2001 foi o maior tomador de recursos na instituição, ainda está demandando poucos financiamentos. Nos dois primeiros meses do ano, as operações aprovadas totalizaram R$ 1,27 bilhão, dos quais R$ 327 milhões foram direcionados para veículos automotores , R$ 325 milhões para clientes da Embraer e R$ 243 milhões para o segmento alimentício.


