Na carteira de trabalho de Consuelo Leandra Fermino, 31 anos, não há registro. Com deficiência física desde os nove meses de idade, quando sofreu com a paralisia infantil, Consuelo nunca conseguiu emprego. Os cursos de auxiliar administrativo e de informática não foram suficientes para que ela conquistasse uma vaga no mercado de trabalho.
''Às vezes, até aparecem umas vagas, mas as empresas exigem muita qualificação e daí fica difícil. Fora isso, quando poderia dar certo por esse lado, não posso ocupar a vaga pois enfrento as barreiras de locomoção'', lastima Consuelo. No bairro onde mora, Parque Ouro Verde (zona norte de Londrina), não passa ônibus coletivo adaptado. Bastante desanimada, ela conta que está desistindo de enviar currículos às empresas. Consuelo mora com a mãe, a filha de 7 anos e uma sobrinha. Atualmente elas vivem com a aposentadoria da mãe que é de apenas um salário mínimo.
Para a responsável pelo departamento de Recursos Humanos, da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), Eliane Violante Stringer, a situação é bastante complicada. ''A história sempre se repete. As empresas alegam que os deficientes não estão capacitados. Mas as barreiras que eles enfrentam são inúmeras. Às vezes, as vagas ofertadas são impossíveis de serem preenchidas pelos deficientes. Os empresários têm que pensar nisso também e oferecer um cargo que esteja ao alcance dessas pessoas'', pontua Eliane. Atualmente, a Adefil tem 700 associados, 30% deles em idade para trabalhar. Porém, nos registros da associação constam apenas 90 pessoas no mercado de trabalho. (E.Z.)

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