A ausência de políticas públicas que promovam o crescimento da construção civil em Londrina foi uma das principais dificuldades apontadas pelos representantes do setor no debate organizado pela Folha. Os construtores também criticaram a falta de investimentos da Prefeitura na infra-estrutura urbana da cidade.
''O setor da construção civil é o que mais alavanca a economia porque gera empregos em um curto espaço de tempo. E vemos que não apenas em nível municipal, mas nacional existe a falta de sensibilidade do governo em praticar impostos e leis trabalhistas mais apropriadas'', lamentou Rodney Garcia Montosa, da Construtora Montosa. Pelas estatísticas da pesquisa do Sinduscon, o setor emprega apenas 8% em relação ao número total de empregos gerados na cidade. O estudo aponta que na década de 80 o segmento chegou a empregar quase 20%.
O construtor Antônio Galindo Moreno apontou a demora na aprovação dos projetos como um entrave para o desenvolvimento do setor. ''Se você não se virar, o projeto pode levar até um ano para ser aprovado'', informou.
Os debatedores também criticaram a falta de apoio da Prefeitura em relação a infra-estrutura do município, principalmente na Gleba Palhano. ''O poder público não investe há muito tempo na infra-estrutura. Na Gleba Palhano, por exemplo, é a iniciativa privada que está construindo esgoto, asfalto, e isso encarece a construção'', constatou Luiz Carlos Pires.
Uma atuação mais efetiva do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) também foi cobrada pelos debatedores. Criado em 1993, o órgão é responsável pelo gerenciamento do desenvolvimento urbano do município. ''O Ippul não é valorizado pela prefeitura. Como o Município vai investir em infra-estrutura se não tem um órgão fortalecido para planejar isso?'', questionou Montosa. ''O problema é que o instituto ficou por um bom período acéfalo e ainda hoje carece de um bom corpo técnico de carreira'', acrescentou Pires.
A despeito das dificuldades, os construtores acreditam que Londrina possui diferenciais que a habilitam para a promoção de um desenvolvimento sustentável. Os debatedores enfatizaram a qualidade da mão-de-obra existente em Londrina no setor da construção civil. ''Não passamos vergonha em nenhuma parte do Brasil'', afirmou Atsushi Yoshii. ''Qual lugar no Paraná tem cinco faculdades? Nós temos todas as condições de promover um desenvolvimento tecnológico de ponta e aproveitar todo este público universitário'', sugeriu o empresário. (C.V.)

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