O juiz José Simões Teixeira, da 13ª Vara Cível de Curitiba, determinou que a Construtora Cidadela (com sede na capital e filiais em Ponta Grossa e Foz do Iguaçu) entregue um imóvel similar a uma consumidora que reclamou na Justiça do atraso na construção do seu apartamento. A empresa tem 10 dias para fazer o repasse. Caso contrário, será multada diariamente em R$ 500,00.
A beneficiada é Lúcia Bonck, que aderiu ao chamado Plano Leve para comprar um apartamento que, ao final, custaria R$ 42.448. Depois de pagar R$ 21.402, ela entrou com ação contra a Cidadela, alegando que o cronograma estaria atrasado e temia não receber o imóvel. O juiz marcou o dia 21 de agosto para uma audiência de conciliação e, no mesmo despacho, concedeu uma tutela antecipatória determinando o repasse de outro imóvel, com as mesmas características e valor.
Lúcia faz parte de um grupo de consumidores que vem ingressando na Justiça contra a construtora, tanto em Curitiba como em Ponta Grossa e Foz do Iguaçu. Somente no Programa de Defesa do Consumidor (Procon) em Curitiba, existem 146 atendimentos – entre reclamações e orientações – a consumidores da Cidadela. Na Associação de Defesa e Orientação do Cidadão (Adoc), os registros de quase 50 pessoas foram feitos. ‘‘A maioria questiona cláusulas do contrato que prevêem punições severas para o consumidor’’, diz o diretor geral da Adoc, Fernando Kosteski.
Foi isso que fez a jornalista Vânia Mara Welte, de Curitiba. Ela assinou contrato com a empresa para um imóvel no valor de aproximadamente R$ 50 mil e deu uma entrada de mais de R$ 1 mil. ‘‘Percebi que tinha algo errado e quis sair do grupo, mas não consegui e nem recebi o dinheiro de volta’’, conta, informando que o Plano Leve funciona como um consórcio. ‘‘Não é tanto pelo valor, mas pelo desaforo’’. O caso dela está no Tribunal de Pequenas Causas, em Curitiba, e a audiência está marcada para o dia 26 deste mês.
O diretor de marketing da Construtora, Raul Pinheiro Machado Filho, reconhece o atraso nas construções, mas diz que o problema está resolvido. A causa, segundo ele, é o alto índice de inadimplência, que em Ponta Grossa, assegura, chegou a 90%. Mesmo assim, ele diz que das 2.500 unidades contratadas em Curitiba, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu, foram entregues 1.608. No dia 20 deste mês serão entregues 16 apartamentos em Ponta Grossa e, até 15 de julho, outros 64 em Curitiba – nos conjuntos Nova Eldorado, Villa Lobos, Nova Itália, Monte Verde e Nova Atlanta.
O advogado da empresa, Luiz Fernando Brusamolin, disse que não houve surpresa na decisão judicial beneficiando Lúcia Bonck. Segundo ele, a própria Cadadela sugeriu ao juiz a entrega de outro imóvel.

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