Construtora terá que entregar imóvel similar a compradora
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segunda-feira, 12 de junho de 2000
José Marinho De Curitiba Especial para a Folha 
O juiz José Simões Teixeira, da 13ª Vara Cível de Curitiba, determinou que a Construtora Cidadela (com sede na capital e filiais em Ponta Grossa e Foz do Iguaçu) entregue um imóvel similar a uma consumidora que reclamou na Justiça do atraso na construção do seu apartamento. A empresa tem 10 dias para fazer o repasse. Caso contrário, será multada diariamente em R$ 500,00.
A beneficiada é Lúcia Bonck, que aderiu ao chamado Plano Leve para comprar um apartamento que, ao final, custaria R$ 42.448. Depois de pagar R$ 21.402, ela entrou com ação contra a Cidadela, alegando que o cronograma estaria atrasado e temia não receber o imóvel. O juiz marcou o dia 21 de agosto para uma audiência de conciliação e, no mesmo despacho, concedeu uma tutela antecipatória determinando o repasse de outro imóvel, com as mesmas características e valor.
Lúcia faz parte de um grupo de consumidores que vem ingressando na Justiça contra a construtora, tanto em Curitiba como em Ponta Grossa e Foz do Iguaçu. Somente no Programa de Defesa do Consumidor (Procon) em Curitiba, existem 146 atendimentos entre reclamações e orientações a consumidores da Cidadela. Na Associação de Defesa e Orientação do Cidadão (Adoc), os registros de quase 50 pessoas foram feitos. A maioria questiona cláusulas do contrato que prevêem punições severas para o consumidor, diz o diretor geral da Adoc, Fernando Kosteski.
Foi isso que fez a jornalista Vânia Mara Welte, de Curitiba. Ela assinou contrato com a empresa para um imóvel no valor de aproximadamente R$ 50 mil e deu uma entrada de mais de R$ 1 mil. Percebi que tinha algo errado e quis sair do grupo, mas não consegui e nem recebi o dinheiro de volta, conta, informando que o Plano Leve funciona como um consórcio. Não é tanto pelo valor, mas pelo desaforo. O caso dela está no Tribunal de Pequenas Causas, em Curitiba, e a audiência está marcada para o dia 26 deste mês.
O diretor de marketing da Construtora, Raul Pinheiro Machado Filho, reconhece o atraso nas construções, mas diz que o problema está resolvido. A causa, segundo ele, é o alto índice de inadimplência, que em Ponta Grossa, assegura, chegou a 90%. Mesmo assim, ele diz que das 2.500 unidades contratadas em Curitiba, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu, foram entregues 1.608. No dia 20 deste mês serão entregues 16 apartamentos em Ponta Grossa e, até 15 de julho, outros 64 em Curitiba nos conjuntos Nova Eldorado, Villa Lobos, Nova Itália, Monte Verde e Nova Atlanta.
O advogado da empresa, Luiz Fernando Brusamolin, disse que não houve surpresa na decisão judicial beneficiando Lúcia Bonck. Segundo ele, a própria Cadadela sugeriu ao juiz a entrega de outro imóvel.


