Presente no sul do Chile desde 2009, a Plaenge amplia sua participação no mercado imobiliário daquele país ao entrar na capital, Santiago, onde acaba de adquirir uma área que deve viabilizar negócios para os próximos dez anos. O braço chileno da construtora londrinense já é responsável por 15% do faturamento total do grupo e a projeção é que chegue a um patamar entre 30% e 35% nos próximos cinco anos, segundo o diretor Alexandre Fabian.
Na capital chilena, o grupo adquiriu uma área de 44 mil metros quadrados, a um custo de aproximadamente R$ 45 milhões. Deve abrigar a construção de dez torres, chegando a um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 300 milhões. De início, serão lançadas três torres com unidades de 100 m² privativos. O lançamento está previsto para o fim de 2017 e a entrega deve ocorrer até 2019.
De acordo com Fabian, a entrada no mercado de Santiago é um passo importante para a consolidação da empresa no exterior. "Como é um país menor que o Brasil, tudo é muito centralizado na capital", explica.

Prospecção
Os negócios internacionais começaram após uma prospecção de mercados imobiliários do Chile, México e Espanha em 2006. "Achamos o mercado chileno muito interessante. Menor, mas mais estável e, de certa forma, mais avançado que o mercado brasileiro, porque tem uma oferta maior de financiamentos e tem uma participação maior do mercado financeiro no mercado imobiliário", diz Fabian.
Três anos depois, em 2009, uma companhia ofereceu um banco de projetos à Plaenge, que marcou a entrada da companhia no mercado chileno. Desde então, a empresa já entregou 1.429 unidades em 14 projetos localizados em sete cidades diferentes.
Atualmente, são 600 unidades em construção e, dos 61 empreendimentos em comercialização, nove estão no Chile. Dos R$ 772 milhões do faturamento registrado em 2015, cerca de R$ 116 milhões vieram de lá.

Inovações e assimilações
A Plaenge levou para os chilenos alguns conceitos que já existem no Brasil há algum tempo, como a churrasqueira na sacada – apesar de também serem adeptos do churrasco, o preparo em apartamentos não existia. O conceito de área de lazer ampliada e mais elaborada também foi levado e bem aceito pelos chilenos.
Segundo Fabian, os primeiros lançamentos foram fruto de muito estudo de um time de arquitetos brasileiros, que colocavam conceitos já comuns no Brasil, e chilenos, que filtravam as inovações. "Às vezes, eles não entendiam as propostas. Nós os trouxemos várias vezes para o Brasil e eles diziam se funcionaria no mercado chileno e o que precisaria adaptar", conta.
Outros costumes precisaram ser incorporados aos projetos dos brasileiros, como a instalação de tina para o banho das crianças. "Eles acham que não existe infância se a mãe não der banho nessa tina. Se entender que lá é muito frio, o contato da criança com a água quente é algo que temos de respeitar", afirma o diretor. O clima frio também faz com que a garagem coberta não seja item essencial para os empreendimentos.
Por outro lado, Fabian elogia as facilidades e velocidade nos trâmites burocráticos. Um exemplo é a aprovação de projetos, que tem de ocorrer até um mês após o protocolo – se não houve manifestação do poder público em 30 dias, considera-se aprovado. Quando são exigidas modificações, são aprovadas também em duas a três semanas, diz o diretor da empresa.
Além disso, as leis que regulamentam as construções são federais, o que facilita a implantação de projetos iguais em cidades diferentes. No Brasil, essa legislação é municipal e cada cidade faz suas próprias exigências.

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