A empresa Goldfarb, com matriz em São Paulo, desistiu da construção do Residencial Moradas de Portugal, que seria instalado em Londrina, na Zona Norte, com cerca de 2,5 mil unidades que estariam enquadradas no programa federal Minha Casa, Minha Vida. Compradores, que já tinham dado entrada no negócio, foram pegos de surpresa com o sumiço repentino da empresa na cidade. Há cerca de uma semana, o estande da construtora localizado no terreno onde seria o residencial está vazio e com sinais de arrombamento. As duas casas-modelo que ficam ao lado estão na mesma situação.
Entre os compradores que se sentem lesados está o casal Nayara Moreira dos Santos, doméstica, e Bruno de Oliveira Franco, pizzaiolo. Eles ficaram surpresos ao visitarem o estande da empresa, no último domingo, e encontrá-lo fechado e sem mobília. Fecharam o contrato há duas semanas e deram uma entrada de R$ 2 mil. ''Vendemos uma moto para pagar. Agora, eles somem sem dar satisfação. Estou com muita raiva e vou até o fim para conseguir meu dinheiro de volta'', disse Nayara, que retornou ao local ontem para se certificar do sumiço da empresa na cidade.
Nayara e Bruno pagam aluguel e foram atraídos pelas facilidades oferecidas pela Goldenfarb: entrada de R$ 2 mil e 23 parcelas de R$ 283 mil, além de dois lances de R$ 650 em dezembro deste ano e do ano que vem, mais R$ 4,5 mil na entrega das chaves, prevista para 2013. O restante, segundo Nayara, R$ 76 mil, seria financiado pela Caixa, dentro do Minha Casa Minha Vida, com 300 meses para pagar. Ela diz que os valores referem-se a uma casa de 45 metros quadrados.
Procurada pela FOLHA, a Goldenfarb divulgou nota informando que, ''após buscar alternativas junto aos órgãos competentes e tentar as medidas cabíveis, não foi possível viabilizar o empreendimento Moradas de Portugal, em Londrina''. O comunicado diz ainda que ''visando agir de forma transparente e atenuar os impactos junto aos seus clientes, a empresa já está fazendo os devidos contatos para agendar o atendimento e efetuar o distrato das unidades''.
A empresa não informou quantas unidades já haviam sido vendidas em Londrina e nem forneceu informações sobre tamanho do terreno, metragem e projeto das casas. Mas, segundo compradores, eram dois projetos: casas térreas de 45 metros quadrados e sobrados de 59 metros quadrados.
Segundo a nota, a empresa garante que ''os recursos já pagos pelos clientes serão devolvidos integralmente, corrigidos no mesmo índice do contrato, incluindo a comissão de corretagem''. Para esclarecer os clientes, a Goldenfarb coloca à disposição o telefone (41) 3018-1300.
Justiça
A empresa não pegou de surpresa apenas os compradores de imóveis. Reginaldo Monteiro, dono de um posto de combustíveis na Zona Norte onde funcionou por sete meses o estande de vendas da Goldenfarb, disse que foi ''lesado''. Segundo ele, no lugar do aluguel, a empresa propôs construir no pátio do posto um imóvel para o estande e depois deixar a obra no local. ''Nem fizeram a obra e nem me pagaram aluguel. Pelo que sei, eles saíram devendo salário também para o pessoal da limpeza e segurança. Como uma empresa que se diz séria, some assim na calada da noite?'', disse Monteiro, que afirmou já ter acionado a construtora para receber pelo aluguel de R$ 3,5 mil por mês.
Por meio da assessoria de imprensa, a Goldfarb informou que a negociação com o proprietário do posto de gasolina para a instalação do estande do plantão de vendas se deu a partir da proposta de uma reforma. Ou seja, a construtora instalaria no local o estande e, em troca, executaria melhorias estruturais no posto. Porém, quando a empresa se prontificou a começar as obras, não foram apresentados a ela todos os documentos necessários para a aprovação da reforma junto aos órgãos públicos para o prosseguimento dos trabalhos.

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