A maioria das construtoras paranaenses praticamente desistiu de lançar debêntures no mercado financeiro para erguer novos empreendimentos imobiliários, segundo informou ontem o Sindicato das Empresas da Construção Civil (Sinduscon). O recuo se deve ao temor de encontrar pela frente surpresas na política econômica, como a elevação da taxa de juros. As debêntures lançadas entre 1995 e 96 e compradas por fundos de pensão ou corretoras supervalorizaram e fizeram com que o financiamento imobiliário ficasse muito caro.
Pelo menos três (Irmãos Thá, Cidadela, Morada Real e Galvão) das cinco construtoras que emitiram debêntures tiveram de negociar com os fundos a redução das taxas. Apenas a Nave conseguiu resgatar todas as debêntures no prazo previsto, conforme informou ontem o sócio-gerente da empresa Alcy Vilas Boas (ver matéria ao lado). A Casa Construção optou em entrar na Justiça para pedir a revisão das taxas de juros. Todas, no entanto, admitem que tiveram de amargar prejuízos com a operação. Os fundos de pensão e corretoras das empresas que não fizeram o resgate também estão insatisfeitos, pois temem ficar com o ‘‘mico’’ da operação.
As debêntures surgiram em 1995 como a melhor opção para se conseguir recursos para a construção civil. Na época, os bancos dificultavam a liberação de financiamentos, como ocorre até hoje. O problema foi a taxa de correção das debêntures, a Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento e Desenvolvimento) mais 2% ao ano. Por causa da manutenção de taxas de juros elevada, os papéis corrigiram acima do esperado pelas construtoras.
O vice-presidente do Sinduscon, Erlon Rotta Ribeiro, afirmou ontem que a emissão de debêntures foi uma tentativa de financiar a construção que se mostrou impraticável ao longo dos anos. ‘‘As debêntures, nos moldes que estavam, se tornaram inviáveis e incompatíveis com o mercado imobiliário’’, avaliou Ribeiro. ‘‘O fundo corre o risco de ficar com o mico e a empresa com o prejuízo’’, completou.
Os números do Sinduscon indicam que praticamente não foram mais fechados contratos com debêntures. A opção mais procurada tem sido o Plano Empresário do Sistema Financeiro de Habitação. O banco financia 70% do custo da obra e o saldo é bancado pela construtora. Outra alternativa para pequenos empreendimentos é o financiamento com recursos próprios.
Ribeiro disse que o setor da construção civil ainda encontra muitas dificuldades em lançar novos imóveis. Há cinco anos, do total de alvarás emitidos pela prefeitura, 55% eram para obras verticais. Hoje, não chega a 30%.

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