Construtora Casa Construção fecha sem quitar debêntures
Os debenturistas da Village Country S.A. ainda conseguiram, mediante liminar, bloquear o terreno onde estava sendo construído o empreendimento Edifício Country Village, no bairro do Cabral. A medida visou salvaguardar pelo menos o patrimônio investido pelos fundos de pensão.
Para o advogado Fabiano Binhara, da B&B Advogados Associados, que representa os fundos dos funcionários da Fundação Copel, Parse e Omar Camargo Corretora de Câmbio e Valores que foi o agente fiduciário da operação, os fundos compraram as debêntures como investimento, e foram surpreendidos quando o devedor entrou na Justiça quando a operação estava próxima do vencimento. Na época, a empresa Hyde Park S.A. obteve liminar para suspender os pagamentos dos papéis. Posteriormente, em janeiro deste ano, a liminar foi cassada através de recurso interposto pelos debenturistas. Com essa decisão, a empresa ficou inadimplente, como permanece até hoje.
O problema é que a Hyde Park e sua controladora Casa Construção não têm mais patrimônio para garantir a dívida. Os fundos de pensão ficaram sem receber o valor principal das debêntures nem o rendimento prometido, disse Binhara. Todas as operações envolvendo as empresas criadas pela Casa Construção para emissão de debêntures estão sendo alvo de investigação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que instaurou processo administrativo, a pedido dos debenturistas.
Com a dificuldade em quitar as debêntures e de contrair novos financiamentos no mercado, a construtora Casa Construção foi fechada, os funcionários foram despedidos e a marca da empresa foi vendida para a empresa RLS construtora. De acordo com o proprietário da RLS, Carlos Rogério Gonçalves, que atuava como diretor na empresa Casa Construção. Foi feito um distrato e Gonçalves adquiriu a marca em julho do ano passado, mas informou que não assumiu passivo nenhum. Mesmo porque os passivos estão em nome das empresas controladas e não da controlodora.
Procurado por duas vezes pela Folha, o empresário Sergio Bromfman, que era acionista majoritário da Casa Construção e das empresas controladas Hyde Park, Village Country S.A. e Eco Hills S.A., preferiu não se pronunciar.(V.C.)





