A ameaça da entrada de grupos estrangeiros no País e o novo modelo econômico nacional, onde não se estimula a produção, faz com que o setor da construção civil caminhe a passos rápidos em busca da produtividade e da qualidade. Um seminário feito ontem, em Curitiba, reuniu em torno do assunto empresários do setor de todo o Estado e representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A meta é integrar os elos da cadeia produtiva da construção civil, que hoje corresponde a 15,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
O ''Construbusiness'' (designação dada pelo setor para definir a cadeia produtiva) movimentou R$ 157,5 bilhões no ano passado. O setor é um dos que mais emprega mão-de-obra, em torno de 3,63 milhões de pessoas diretamente e até 14 milhões de forma indireta. No Paraná são 200 mil trabalhadores diretos.
Um dos maiores problemas que o segmento enfrenta é convencer o próprio empresário a mudar a forma de atuação. ''As modificações precisam de um aculturamento'', disse ontem o presidente da Câmara Estadual da Construção Civil, Eliel Lopes Ferreira Júnior. Ele afirmou, no entanto, que a construção civil foi um dos setores que mais avançou em tecnologia e em recursos humanos nos últimos anos. ''Estávamos muito atrás'', admitiu.
A qualificação e o aumento de produtividade têm sido estimulados pelo Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQP-H). O projeto foi criado em 1997 pelo Ministério do Desenvolvimetno, Indústria e Comércio. Os responsáveis pelo programa têm percorrido os estados para levar as propostas aos empresários da construção civil.
''O que mais falta hoje é tecnologia de gestão'', afirmou um dos coodenadores do PBQP-H, Adriano Pinto Perreira. Ele disse que as empresas ainda estão muito atreladas aos métodos artesanais, sem dar a importância necessária às novas técnicas. Estudos elaborados pelo ministério indicam que as perdas com a má gestão podem chegar a mais de 10%.
Hoje 2 mil construtoras participam do PBQP-H, em 16 estados. No Paraná são 110 empresas. A intenção do governo federal é de que num futuro breve elas tenham acesso mais fácil a financiamentos. ''Ou as empresas se capacitam ou serão absorvidas pelos grupos estrangeiros'', diz o coordenador estadual do PBQP-H, Paulo Laporte Ambozewicz.

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