Ao longo dos anos temos conhecido uma quantidade muito grande de insucesso na condução de negócios. Sim, insucesso. Pesquisas e levantamentos, efetuados por organizações conceituadas e abrangendo todo o País, apontam dados trágicos com relação à mortalidade de empresas brasileiras. Para se ter uma idéia, cerca de 67% das empresas surgidas neste ano não existirão daqui a dois anos e, desse contingente, aproximadamente 80% não conseguirão sequer completar o primeiro ano de vida.
A situação é alarmante, e as causas são as mais variadas possíveis. Todavia, a nosso juízo, três se destacam. 1 - Os empreendedores, ao se reunirem para constituir a empresa, o fizeram com vistas a, prioritariamente, ganhar dinheiro. 2 - Falha ou ausência completa de conhecimentos administrativos básicos, dentre os quais, os diretamente relacionados com o planejamento dos negócios. 3 - Falta de habilidade no trato humano, no relacionamento com os clientes, com os colaboradores internos, com os fornecedores, enfim, com toda a comunidade com a qual a empresa interage.
Um percentual alto dos novos empreendedores - aqueles que partem para a montagem de uma empresa, de um negócio, é constituído por pessoas que perderam a relação de empresa que mantinham, às vezes, por mais de uma dezena de anos.
Elas investem o que conseguiram acumular ao longo dos anos em um dado negócio que lhes afirmaram ser - ou que elas mesmas crêem ser - rentáveis (todo o universo de pequenos e médios negócios, em todo o país, é prova disso!). Quase sempre, apenas conhecem o negócio em que agora ingressam, na posição de cliente, de usuário.
Falta-lhes a vivência ‘‘do outro lado da mesa’’. Desejam ‘‘explorar’’ o negócio (atente ao destaque que demos ao verbo explorar). Querem obter renda para se manter e, se possível, ficar ricos. Sem dúvida, raramente terão sucesso, pois partem de um foco inadequado.
Para ter sucesso real e duradouro nos negócios, devemos nos conscientizar de uma vez para sempre que o principal negócio do empresário, qualquer que seja o ramo em que atue, o capital que empregue, as instalações de que disponha é: 1 - atender maravilhosamente bem o cliente. Há que encantar o cliente. Se antecipar às suas necessidades e expectativas. Há que maravilhá-lo. 2 - Precisamos de uma base teórico-prática de conhecimentos de gestão empresarial. Não apenas o planejamento financeiro, a gestão do caixa é importante. Precisamos saber ‘‘administrar’’ o negócio.
Necessitamos compreender a importância das pessoas, do relacionamento e respeito humano e, para isso temos que ir além da razão, entrando no campo dos sentimentos, das emoções. Afinal, não somos máquinas, somos seres humanos e queremos ser tratados e respeitados como tais. Vejamos, em breves detalhes, cada aspecto:
1 - Atendimento ao cliente: Sem dúvida, toda e qualquer empresa atende o cliente. Ocorre que, na maioria das vezes, atende mal. Chega-se a tratá-lo como se fosse um estorvo, quando ele é a razão de ser do negócio. Não nos basta, ainda, atendê-lo bem. Nossos principais concorrentes estão agindo assim. Se quisermos fazer diferença, devemos atendê-lo maravilhosamente bem! Encantá-lo e, creiam-me, coisas simples como cumprimentá-lo, chamá-lo pelo nome (sempre que possível) e agradecê-lo continuam sendo iniciativas válidas e oferecem excelentes resultados. A propósito, vamos deixar de chamar o cliente de ‘‘rei’’. Ele não é. Pense bem: ele é uma espécie de ‘‘Deus’’. Sim, ‘‘Deus’’, pois detém o poder de mandar nossa empresa para o céu (com sua presença, suas compras e indicações) ou para o inferno (agindo de modo contrário).
2 - Conhecer o negócio e administrá-lo bem: Não teríamos condições de falar sobre panificação se, pelo menos, não fizéssemos uma série de levantamentos, de observações, de visitas a várias empresas da área. Ora, pra ter sucesso no negócio, precisamos conhecer o negócio. Saber de seus pontos positivos e dos menos favoráveis e, nos decidirmos a investir nos pontos positivos - afinal, eles é que irão fazer a diferença entre nós e a concorrência. Fazendo isso, os ‘‘negativos’’ vão desaparecendo paulatinamente. Há que ter bons conhecimentos dos processos de compra, de fabricação, de controle de estoques, de exposição de mercadorias, de propaganda e publicidade, de gestão de pessoas, de ... É, ninguém disse que ser panificador de sucesso é fácil. Mas pode tornar-se fácil se amarmos o nosso negócio e entendermos que, por meio dele, estamos valorizando nossa classe, prestando um serviço de alto nível para a comunidade e dando condições de manutenção para nossas famílias e as dos nossos colaboradores. Realmente, nosso negócio é de vital importância para nossa cidade, nosso Estado, nossa Nação!
3 - Seres humanos: Não contamos com ‘‘recursos humanos’’ em nosso negócio, contamos com pessoas. Recursos são os materiais e os financeiros, os quais podemos comprar, vender e trocar. Não as pessoas. Nós, seres humanos, queremos ser tratados com dignidade, respeito e amor. Ora, se nós queremos, é evidente que nossos colaboradores, nossos fornecedores, nossos clientes, em suma, todas as pessoas que formam o nosso negócio, têm o mesmo desejo: o de ser respeitado, valorizado. Há, pois, que estar alerta para esse fato e investir muito em capacitação e motivação das pessoas. Só assim nosso negócio tem condições de crescer, se desenvolver, o que é mais importante.
Claro, há necessidade de um empreendedor, de um líder para idealizar o negócio, mas este apenas se tornará realidade graças à cooperação de muitas pessoas - cada uma delas desejando ser feliz. Então, em última análise, qual é o nosso negócio? Fazer pessoas felizes.

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