A criação de empreendimentos de construção e engenharia assumiu no ano passado a primeira colocação nacional no setor de serviços, de olho na necessidade de obras de infraestrutura no País, de projetos para a Copa do Mundo de 2014 e para a Olimpíada de 2016 e da demanda na habitação. Segundo o Perfil das Empresas Brasileiras em 2012, feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), a atividade foi responsável pela criação de 75.548 novas empresas de serviços no ano passado. O estudo não apresenta números regionais por setor, mas a expectativa em Londrina é de crescimento da indústria da construção civil, por desdobramentos do mundial de futebol e pela retomada de projetos de infraestrutura após período político conturbado.
Mesmo com a queda de 2,47% no número de empreendimentos em relação aos 77.463 de 2011 no País, o segmento de construção e engenharia se manteve bem acima das 66.726 criadas em 2010, o que mostra o aquecimento da atividade. A queda do subsetor serviços diversos foi de 9,55%, ao passar de 81.071 em 2011 para 73.874 no ano passado, resultado que rebaixou a categoria para o segundo lugar dentro do setor de serviços.
Apenas a abrangente atividade de comércio varejista foi mais representativa, com 171.245 empresas criadas, mas com queda de 25,85% em relação às 214.248 de 2011. Supervisor de estatísticas e inteligência contábil do IBPT, Othon de Andrade Filho afirma que o subsetor de construção e engenharia deve crescer ao menos nos próximos dez anos, período necessário para reduzir o deficit habitacional brasileiro. Ainda, cita a extensão de obras de infraestrutura para reduzir o custo de produção da indústria e para a Copa do Mundo, que terão desdobramentos pelas grandes cidades do País. ''Temos expectativa de que ocorra um bom desempenho em construção e engenharia, que vem com destaque nos últimos quatro anos.''
Sem números regionais sobre novas empresas, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon), Gerson Guariente Júnior, afirmou que a expectativa local em 2013 para o setor como um todo é de aumento de 6%, superior à estimativa do ano passado, ainda sem números finais. ''Apesar do crescimento baixo da economia em 2012, a construção no Brasil deve ter alta de 5% e Londrina vai acompanhar esse índice.''
Ele acredita que, além da previsão de um ano melhor para a economia mundial, as possibilidades de a cidade receber uma das seleções em treinamento para a Copa e de início de obras de infraestrutura na região contribua para o crescimento maior neste ano do que em 2012. ''Temos notícias da duplicação da PR-445, do projeto do Contorno Norte, de obras no aeroporto e de a prefeitura voltar a investir depois que o novo prefeito resolver problemas de caixa'', diz Guariente.
Oportunidade
De olho no crescimento do setor, os empresários Glênio Mota e Raimundo Araújo abriram em abril do ano passado a Mota e Araújo Construção. A empresa com sede em Londrina fornece funcionários e presta serviços para construtoras que atendem programas governamentais, como o Minha Casa, Minha Vida. ''Percebemos que a atividade estava em expansão, com mão de obra escassa e necessidade de compromisso profissional, então criamos a empresa'', afirma Mota.
Em menos de um ano, a dupla já atuou em Londrina, Cambé, Arapongas, Umuarama e Curitiba. ''Hoje são 24 funcionários e, se fecharmos alguns contratos que temos em vista, passaremos para 36'', diz Mota.

Imagem ilustrativa da imagem Construção vira líder em novas empresas de serviços
mockup