Construção vira líder em novas empresas de serviços
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Fábio Galiotto <br> <br> Reportagem Local 
A criação de empreendimentos de construção e engenharia assumiu no ano passado a primeira colocação nacional no setor de serviços, de olho na necessidade de obras de infraestrutura no País, de projetos para a Copa do Mundo de 2014 e para a Olimpíada de 2016 e da demanda na habitação. Segundo o Perfil das Empresas Brasileiras em 2012, feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), a atividade foi responsável pela criação de 75.548 novas empresas de serviços no ano passado. O estudo não apresenta números regionais por setor, mas a expectativa em Londrina é de crescimento da indústria da construção civil, por desdobramentos do mundial de futebol e pela retomada de projetos de infraestrutura após período político conturbado.
Mesmo com a queda de 2,47% no número de empreendimentos em relação aos 77.463 de 2011 no País, o segmento de construção e engenharia se manteve bem acima das 66.726 criadas em 2010, o que mostra o aquecimento da atividade. A queda do subsetor serviços diversos foi de 9,55%, ao passar de 81.071 em 2011 para 73.874 no ano passado, resultado que rebaixou a categoria para o segundo lugar dentro do setor de serviços.
Apenas a abrangente atividade de comércio varejista foi mais representativa, com 171.245 empresas criadas, mas com queda de 25,85% em relação às 214.248 de 2011. Supervisor de estatísticas e inteligência contábil do IBPT, Othon de Andrade Filho afirma que o subsetor de construção e engenharia deve crescer ao menos nos próximos dez anos, período necessário para reduzir o deficit habitacional brasileiro. Ainda, cita a extensão de obras de infraestrutura para reduzir o custo de produção da indústria e para a Copa do Mundo, que terão desdobramentos pelas grandes cidades do País. ''Temos expectativa de que ocorra um bom desempenho em construção e engenharia, que vem com destaque nos últimos quatro anos.''
Sem números regionais sobre novas empresas, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon), Gerson Guariente Júnior, afirmou que a expectativa local em 2013 para o setor como um todo é de aumento de 6%, superior à estimativa do ano passado, ainda sem números finais. ''Apesar do crescimento baixo da economia em 2012, a construção no Brasil deve ter alta de 5% e Londrina vai acompanhar esse índice.''
Ele acredita que, além da previsão de um ano melhor para a economia mundial, as possibilidades de a cidade receber uma das seleções em treinamento para a Copa e de início de obras de infraestrutura na região contribua para o crescimento maior neste ano do que em 2012. ''Temos notícias da duplicação da PR-445, do projeto do Contorno Norte, de obras no aeroporto e de a prefeitura voltar a investir depois que o novo prefeito resolver problemas de caixa'', diz Guariente.
Oportunidade
De olho no crescimento do setor, os empresários Glênio Mota e Raimundo Araújo abriram em abril do ano passado a Mota e Araújo Construção. A empresa com sede em Londrina fornece funcionários e presta serviços para construtoras que atendem programas governamentais, como o Minha Casa, Minha Vida. ''Percebemos que a atividade estava em expansão, com mão de obra escassa e necessidade de compromisso profissional, então criamos a empresa'', afirma Mota.
Em menos de um ano, a dupla já atuou em Londrina, Cambé, Arapongas, Umuarama e Curitiba. ''Hoje são 24 funcionários e, se fecharmos alguns contratos que temos em vista, passaremos para 36'', diz Mota.



