Construção vai importar cimento da Bulgária
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sexta-feira, 21 de março de 1997
Carmem Murara, Sucursal de Curitiba 
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) deverá fazer uma megaimportação de cimento da Bulgária, até o final de abril, para tentar pressionar o mercado nacional a reduzir o preço do produto. A CBIC tem planos de comprar cerca de dois milhões de sacas para distribuir para as construtoras interessadas. A importação conseguirá atender a demanda de dois meses.
No Paraná, a importação de cimento búlgaro está sendo coordenada pela Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi). A associação está formando um pool de empresas dispostas a deixar de comprar o cimento nacional. As maiores construtoras do Estado já demonstraram interesse em adquirir o produto importado.
Hoje, praticamente todo o cimento usado nas obras paranaenses vem das empresas Cimentos Portland Rio Branco (Votorantim) e da Cimentos Itambé, que controlam o mercado. O preço que as duas fábricas colocam para o produto está dentro da média nacional, que gira em torno de R$ 5,50 a saca de 60 quilos. Alguns Estados chegam a cobrar até R$ 7,00 a saca.
O cimento búlgaro entrará no País por R$ 5,00 a saca de 60 quilos. O presidente da Ademi, Roberto Valente, concorda que a diferença de preço é pouca e em alguns Estados simplesmente não existe. Mas ele justifica a importação, dizendo que é uma alternativa para pressionar o mercado nacional. Acreditamos que haverá uma tendência de redução nos preços, afirmou Valente. Segundo o presidente da Ademi, o preço da saca de cimento saltou de R$ 3,00 para R$ 5,50, o que dá um crescimento de 60% no prazo de um ano.
A última grande importação nacional de cimento se deu em 1992. As construtoras evitam trazer o produto do exterior pelo fato de ele ser perecível. O cimento tem uma duração máxima de três meses.


