Construção vai criar 1 milhão de vagas
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terça-feira, 20 de maio de 1997
Agências Folha e Estado, do Rio de Janeiro 
Arquivo FolhaCondiçãoO presidente da Caixa Econômica, Sérgio Cutolo: financiamentos precisam ter continuidade para manter as obras em curso e a consequente geração dos empregos no mesmo nívelO presidente da Caixa Econômica Federal, Sérgio Cutolo, disse ontem que até o fim de 1997 terão sido criados mais de 1 milhão de empregos na construção civil, devido a investimentos na área de cerca de R$ 6 bilhões.
Cutolo advertiu, porém, que os empregos no setor só duram enquanto as obras estão em curso. Os postos de trabalho criados, segundo o presidente da CEF, só serão mantidos com o nível de investimentos. É muito importante que se tenha fontes de financiamento de forma continuada, que não sejam paralisados os financiamentos, ressaltou.
De acordo com o presidente da CEF, a entidade tem se empenhado no saneamento da própria CEF e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para permitir a manutenção dos atuais níveis de financiamento. Mas a manutenção dos investimentos no futuro, segundo Cutolo, também dependerá do retorno dos recursos que foram emprestados. O principal ponto é não emprestar para quem não pode pagar.
O dinheiro para as obras está sendo garantido por diferentes fontes: FGTS, Orçamento da União, recursos próprios da Caixa Econômica Federal. Cutolo participou ontem do painel Emprego e Crescimento, no segundo dia do 9º Fórum Nacional, no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Em sua exposição, o presidente da CEF disse esperar que, do início de 1995 até o fim de 1997, os investimentos na construção civil via CEF tenham chegado a R$ 8 bilhões, gerando 1,4 milhão de empregos.
Poupança azul Sérgio Cutolo disse que a CEF está avaliando a redução do prazo de poupança exigida para as pessoas inscritas no programa Poupança Azul Imobiliária (PAI), que financia imóveis para quem tem caderneta vinculada à habitação.
Pelo projeto anterior, a CEF financiava apenas 50% do valor do imóvel mas de acordo com Cutolo, a maior disponibilidade de recursos permitiu elevar o total para 80% do valor do imóvel. Na prática, Cutolo explicou que o mutuário poderá obter o financiamento entre o primeiro e segundo anos (à partir do 13º e o 24º meses), quando antes o prazo mínimo começava a partir do 3º ano.
Mas o mutuário terá que continuar poupando por três anos, explicou, esclarecendo que aqueles que tiverem conseguido juntar os 20% antes do prazo podem suspender os depósitos, se preocupando apenas em pagar as prestações.
Cutolo explicou que a flexibilização do PAI ainda depende de autorização do BC. De qualquer forma, a aumento do porcentual de financiamento só irá beneficiar os que já estão inscritos no programa PAI (que não tem limites para o valor do imóvel). Ele estima que existem em torno de 80 mil pessoas em todo o País inscritos no programa.


