Construção terá consumo maior pelas famílias
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quinta-feira, 03 de dezembro de 2009
Chiara Quintão<br> Agência Estado 
São Paulo - O consumo pelas famílias brasileiras de materiais de construção deverá crescer em 2010, na avaliação da consultora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ana Maria Castelo. A cadeia da construção - composta pelo mercado imobiliário, por obras públicas, pelo segmento privado de ampliação de unidades comerciais e industriais e pelo consumo de materiais pelas famílias para autoconstrução e reforma - cresceu 1% este ano, conforme cálculos da FGV para o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP).
''O crédito está voltando, e a renda crescendo a taxas maiores que anteriormente. A expectativa é de crescimento do consumo das famílias em 2010'', disse a consultora da FGV, Ana Maria Castelo. A cadeia da construção civil deverá ter crescimento real de 8,8% em 2010. Além da perspectiva de maior consumo de materiais pelas famílias, Sinduscon-SP e FGV esperam aceleração das obras do programa ''Minha Casa, Minha Vida'' e expansão das obras de infraestrutura, com mais investimentos públicos, principalmente em função das eleições de 2010.
No fim do ano passado, a expectativa era que a construção cresceria de 3,5% a 4,7% em 2009. A expansão mais modesta deveu-se à queda do consumo de materiais pelas famílias, que não se recuperou em relação ao ano passado, segundo o Sinduscon-SP e a FGV. Em 2008, diante da perspectiva de aumento da demanda, varejistas de materiais e construtoras formaram estoques de insumos.
Com a desaceleração dos lançamentos e do consumo das famílias, houve queda da produção física das indústrias de materiais. ''Não esperávamos uma queda na produção de materiais tão grande como houve em 2009'', disse o diretor da Economia do Sinduscon-SP, Eduardo Zaidan.
Conforme Zaidan, para as construtoras que atuam tanto em edificações quanto em infraestrutura, o ano de 2009 foi melhor do que o esperado, devido a políticas anticíclicas como o programa ''Minha Casa, Minha Vida'', à ampliação do crédito e à manutenção da renda. O representante do Sinduscon-SP disse ainda que a expansão inicialmente esperada para a construção em 2009 tomava como base que 2008 teria crescido 10,2%. ''O crescimento em 2008 acabou sendo de 12,5%'', acrescentou.
A partir de dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp) de lançamentos imobiliários na Região Metropolitana de São Paulo até outubro, a consultora da FGV estima queda de 30% no indicador em 2009 na comparação com o ano passado. ''Há grande possibilidade de crescimento dos lançamentos em 2010 em relação a 2009, mas é pouco provável que o patamar de 2008 seja retomado'', disse Ana Castelo.
O diretor de Economia do Sinduscon-SP não espera que haja escassez de materiais de construção em 2010, mesmo com o aumento dos lançamentos pelas empresas. ''A indústria de materiais fez pesados investimentos em 2007 e 2008. Pode haver, eventualmente, falta de algum insumo específico em um determinado local e numa fase da obra'', disse Zaidan.


