Brasília - Os sinais de recuperação de atividade e, consequentemente, de oferta de empregos com carteira assinada neste início de ano são mais consistentes na construção civil dentre todos os setores da economia brasileira, na avaliação de especialistas em mercado de trabalho consultados pela Agência Estado. Esses mesmos especialistas apontam dúvidas na durabilidade da eventual melhora no cenário industrial, que levou até mesmo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a afirmar que maio será um mês ''bom'' para a indústria da transformação na geração de vagas formais.
Fatores como a redução dos juros básicos, o apetite dos bancos por aumentar sua fatia no crédito habitacional e o programa do governo federal ''Minha Casa, Minha Vida'', que ainda não deslanchou totalmente, devem estimular a construção civil nos próximos meses, com reflexos positivos na geração de empregos. ''São fatores que dão ânimo às construtoras para investirem e esperarem bom retorno'', afirmou o supervisor do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sérgio Mendonça.
Expectativas tão animadoras, o analista não vê para a indústria de transformação no curto prazo. ''No setor industrial, persiste uma dúvida se chegamos ou não ao fundo do poço'', afirmou. Na metalurgia, por exemplo, a produção de aço está sendo prejudicada pela queda dos preços no mercado internacional e a freada do consumo interno.
A indústria extrativista também ainda enfrenta dificuldades. ''E não por acaso são setores onde ainda paira o fantasma das demissões'', lembrou Mendonça. Já na construção civil, em contraponto, o técnico afirmou que já é possível considerar que o ''fundo do poço'' ficou para trás.
O professor da USP, José Pastore, disse concordar que o potencial futuro de crescimento da construção civil é ''excelente''. ''Se os projetos do 'Minha Casa, Minha Vida' realmente saírem do papel, esse setor pode até explodir.''
Para Pastore, o desenho do programa habitacional é favorável às construtoras porque coloca a Caixa Econômica Federal como intermediária da oferta e da demanda, evitando que as empresas tenham buscar compradores. ''E essa garantia é um grande diferencial'', disse.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, comprovam que a construção civil é um dos setores com recuperação mais rápida na geração de ocupações formais de janeiro a abril deste ano, após o tombo de dezembro do ano passado. No entanto, todas as vagas fechadas no último mês de 2008 ainda não foram recuperadas.
No primeiro quadrimestre de 2009, o setor acumula um saldo positivo entre demissões e contratações de 43.667 postos de trabalho, um pouco mais da metade que os 82.432 empregos perdidos apenas em dezembro. A indústria de transformação, por outro lado, só fechou vagas de dezembro a março, voltando a abrir apenas 183 empregos formais em abril.Os dados de maio do Caged devem ser divulgados até o próximo dia 20.

mockup