Os empresários do setor da construção civil se reúnem hoje com representantes dos ministérios da Fazenda, Justiça e Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico, em Brasília, para discutir o aumento de preços dos materiais utilizados pelas construtoras. Os produtos subiram em média 10% desde que houve a desvalorização da moeda, em 14 de janeiro. Com receio de fazer o repasse do aumento para o consumidor final e perder mais clientela, os empresários querem que o governo ajude na negociação com os fornecedores.
Os donos de construtoras paranaenses estimam que houve aumento especulativo em alguns produtos. ‘‘Não entendemos por que o ferro subiu 7% se é um produto nacional’’, afirmou o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon-PR), Eliel Lopes Ferreira Júnior. Ele ressaltou que o objetivo final é impedir o reajuste injustificado de preços.
O presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção, Eduardo Balarotti, disse que os produtos que mais subiram foram o cobre e o alumínio, que estão 20% mais caros, em média, em relação à primeira quinzena de janeiro. Os materiais utilizados numa obra representam 50% do Custo Unitário Básico (CUB) da construção civil e por isso os empresários avaliam que as vendas de imóveis, que já estão desaquecidas, podem piorar nos próximos meses. Durante o ano passado, o aumento acumulado do CUB foi de 4,64%, sendo que somente no mês de janeiro deste ano o CUB aumentou 0,92%.
A remarcação de preços dos materiais representou a gota d‘água para o setor pedir apoio do governo federal. Mais sensíveis ao problema, os empresários paranaenses decidiram ir além e elaboraram um documento que será apresentado ao ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. Na carta eles pedem questões antigas como redução da carga tributária e simplificação das leis trabalhistas. Os empresários querem ainda que seja retomado o investimento no setor habitacional. ‘‘Todos os países investem na construção civil. Não podemos ser diferentes’’, afirmou o presidente do Sinduscon.
As obras e novos lançamentos estão parados no Estado e no País, o que dá um déficit habitacional estimado entre 6 milhões e 14 milhões de moradias. Desde 1995, há uma queda no número de novos prédios lançados, chegando a 50% menos em relação a 94, quando começou o Plano Real. O Sinduscon não tem um levantamento do número de imóveis novos que estão vazios no Estados, mas o Sindicato da Habitação (Secovi) informou que estão a venda 3,7 mil apartamentos residenciais e comerciais usados. ‘‘Temos que pressionar o governo para que sejam tomadas medidas que retomem os negócios’’, afirmou o presidente do Secovi, João Françolim Tomazini.
O argumento que os empresários utilizam para convencer o governo federal a retomar o que eles chamam de ‘‘construbusiness’’ é a manutenção do emprego. ‘‘Se o caminho adotado pelo governo for contrário ao que estamos propondo teremos uma queda de até 10% no PIB da construção e isso pode representar demissão’’, ameaça o presidente do Sinduscon. Há quatro anos, havia 272 mil trabalhadores da construção civil no Estado. Hoje, eles são 120 mil.

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