Construção negocia jornada e salário
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segunda-feira, 15 de dezembro de 1997
Agência Folha São Paulo 
Arquivo FolhaLuta pelo empregoAcordo no setor de autopeças abre caminho para outros setores discutirem mudanças nas relações de trabalhoO Sinduscon, que representa os empreiteiros paulistas, e o sindicato dos trabalhadores da construção civil começam a discutir hoje a proposta de redução de jornada e de salários. A negociação, no entanto, deve ser mais difícil do que a ocorrida entre a indústria de autopeças e os metalúrgicos de São Paulo, que assinaram acordo de redução de até 25% na jornada e 10% nos salários.
Segundo o presidente do sindicato dos trabalhadores, Antonio de Sousa Ramalho, será difícil reduzir salário de uma categoria cujo piso salarial para mão-de-obra sem qualificação é de R$ 314,60 por mês. Empresas e trabalhadores vão discutir também a criação de um banco de horas, semelhante ao que existe no setor metalúrgico. O Sinduscon quer a criação do banco para poder compensar, por exemplo, as horas de trabalho perdidas por causa das chuvas, frequentes no verão.
Segundo Ramalho, os trabalhadores aceitam a criação do banco de horas, mas querem que as horas compensadas tenham maior remuneração do que as de trabalho normal.
A Volkswagen e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC voltam a se reunir amanhã para negociar uma solução que evite demissões na empresa. Certos de que o encontro não deve sair do ponto onde está - sem que tenha surgido uma proposta negociada entre a montadora e os trabalhadores, os sindicalistas querem adiar a discussão para o início de janeiro.
O presidente do sindicato, Luiz Marinho, afirma que não irá negociar durante as férias coletivas dos funcionários da Volks, que começa na próxima segunda e vai até o dia 5 de janeiro. A Volks tem pressa, mas a empresa está medindo os custos sociais de uma decisão de demitir 10 mil funcionários. Tanto que encomendou uma pesquisa para saber a reação da população do ABC paulista e de seus 22,9 mil funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo sobre as medidas. A montadora, há cerca de duas semanas, propôs a redução de 20% na jornada de trabalho e nos salários. Isso evitaria, segundo a empresa, 7.000 demissões.
Além disso, a Volks propôs terceirizar outros 3.000 funcionários, que passariam a trabalhar em uma empresa de serviços da própria montadora. Sem o acordo, a Volks ameaça demitir 10 mil funcionários. A lista dos dispensados já está pronta, segundo a montadora.
Os metalúrgicos rejeitaram a proposta e, no ato público realizado na semana passada, ameaçaram invadir a fábrica de São Bernardo do Campo caso a montadora inicie as demissões.


