Arquivo FolhaLuta pelo empregoAcordo no setor de autopeças abre caminho para outros setores discutirem mudanças nas relações de trabalhoO Sinduscon, que representa os empreiteiros paulistas, e o sindicato dos trabalhadores da construção civil começam a discutir hoje a proposta de redução de jornada e de salários. A negociação, no entanto, deve ser mais difícil do que a ocorrida entre a indústria de autopeças e os metalúrgicos de São Paulo, que assinaram acordo de redução de até 25% na jornada e 10% nos salários.
Segundo o presidente do sindicato dos trabalhadores, Antonio de Sousa Ramalho, será difícil reduzir salário de uma categoria cujo piso salarial para mão-de-obra sem qualificação é de R$ 314,60 por mês. Empresas e trabalhadores vão discutir também a criação de um banco de horas, semelhante ao que existe no setor metalúrgico. O Sinduscon quer a criação do banco para poder compensar, por exemplo, as horas de trabalho perdidas por causa das chuvas, frequentes no verão.
Segundo Ramalho, os trabalhadores aceitam a criação do banco de horas, mas querem que as horas compensadas tenham maior remuneração do que as de trabalho normal.
A Volkswagen e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC voltam a se reunir amanhã para negociar uma solução que evite demissões na empresa. Certos de que o encontro não deve sair do ponto onde está - sem que tenha surgido uma proposta negociada entre a montadora e os trabalhadores, os sindicalistas querem adiar a discussão para o início de janeiro.
O presidente do sindicato, Luiz Marinho, afirma que não irá negociar durante as férias coletivas dos funcionários da Volks, que começa na próxima segunda e vai até o dia 5 de janeiro. A Volks tem pressa, mas a empresa está medindo os custos sociais de uma decisão de demitir 10 mil funcionários. Tanto que encomendou uma pesquisa para saber a reação da população do ABC paulista e de seus 22,9 mil funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo sobre as medidas. A montadora, há cerca de duas semanas, propôs a redução de 20% na jornada de trabalho e nos salários. Isso evitaria, segundo a empresa, 7.000 demissões.
Além disso, a Volks propôs terceirizar outros 3.000 funcionários, que passariam a trabalhar em uma empresa de serviços da própria montadora. Sem o acordo, a Volks ameaça demitir 10 mil funcionários. A lista dos dispensados já está pronta, segundo a montadora.
Os metalúrgicos rejeitaram a proposta e, no ato público realizado na semana passada, ameaçaram invadir a fábrica de São Bernardo do Campo caso a montadora inicie as demissões.

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