Construção lança manual sobre sistema cooperativo JANELA
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terça-feira, 20 de maio de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - No primeiro trimestre deste ano, as cooperativas habitacionais foram responsáveis por 47% dos lançamentos de imóveis feitos na região metropolitana de São Paulo. Até o final de 1997, essa participação deve aumentar ainda mais. De olho nesta tendência do mercado imobiliário do País, quatro entidades sindicais do setor de construção civil - SindusCon-SP, Secovi-SP, Sincooesp e Abicoop - lançaram ontem o manual de orientação Cooperativas Habitacionais.
O objetivo do manual é alertar aos cooperados para os cuidados mínimos que devem ser seguidos nas relações entre as várias partes que compõem uma realização cooperativada para a construção de imóveis. Isto porque as entidades do setor de construção civil estão preocupadas com os efeitos de falcatruas no sistema. É o caso, por exemplo, de um pastor evangélico na cidade de Jundiaí (SP) que deu um golpe em cooperados. O manual ajuda o cooperado a evitar esse risco, disse Ricardo Yazbek, presidente do Secovi-SP. As boas cooperativas vão distribuir o manual porque nada temem, diz Edson Zacharias, presidente da Abicoop.
Em 1996, as cooperativas responderam por 44% dos lançamentos na Grande São Paulo, contra 23% dos lançamentos na capital paulista, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). As cooperativas contribuiram com 25% do faturamento do setor de construção civil paulista, o equivalente a US$ 1 bilhão. Essa é a melhor explicação do porquê as cooperativas se transformaram em alvo de tanto interesse do mercado imobiliário paulista, que se reuniu para lançar o manual.
Os imóveis construídos, pelo sistema de autofinanciamento das cooperativas, são voltados para as faixas de renda entre 8 e 20 salários mínimos - uma parcela da população sem acesso às linhas de financiamento das incorporadoras, voltadas para a faixa familiar com renda de 20 a 65 salários mínimos. Em média, a prestação mensal dos cooperados não chega a R$ 500,00.
Pelo sistema de cooperativas habitacionais, um grupo de pessoas se reúne com o objetivo comum de comprar uma casa própria. Essa associação é, no entanto, estimulada por um agente imobiliário que coordena todas as ações necessárias, como a escolha do terreno, desenho da planta e escolha de uma construtora. O tamanho das cooperativas oscila entre 200 e 1.000 cooperados que começam a receber as casas, em média, após 20 meses e com intervalos subsequentes. Esse prazo, porém, é variável e é determinado pela cooperativa. O recebimento dos imóveis pode ser por sorteio, lance ou acertado pelo cooperado quando da assinatura do contrato de compra.
A grande vantagem das cooperativas, em relação às incorporadoras, é que elas não visam lucro, o que reduziria sensivelmente os custos da construção. Regulamentadas desde 1971, as cooperativas voltaram a atuar com fôlego desde o final de 1995.


