São Paulo - Em um ano recheado de ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês), com opções para se aplicar recursos em setores como construção, comércio, saúde e logística, o que realmente importa para o investidor é saber se sua aposta foi ou não bem-sucedida. Ao todo foram 26 estréias da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em 2006, que levantaram R$ 14,7 bilhões em captações que variaram de pouco mais de R$ 150 milhões a até R$ 1,2 bilhão. Destas, 17 ações tiveram performance superior ao Ibovespa no mesmo período, entre o início de negociação de cada papel e o fechamento da última sexta-feira, dia 22.
A campeã de valorização foi a incorporadora Gafisa (63,24%), seguida da empresa de TV a cabo Vivax (57,14%), de outra incorporadora, a Company (53,44%). Não foi à toa que muitos analistas classificaram 2006 como o ano da construção civil. O setor contou com uma série de incentivos, como isenção de impostos para alguns materiais e redução de taxas para o crédito imobiliário, e ainda se beneficiou do crescimento da economia. Com isso, os papéis tiveram boa performance. As empresas de construção acabaram concentrando a maior parte dos lançamentos na Bovespa: ao todo, foram sete estréias, elevando para nove o número listadas na bolsa.
''Trata-se de um setor fundamental para a economia do Brasil, capaz de gerar muitos empregos. Um setor que pode realizar o sonho de todo brasileiro: ter sua casa própria'', disse o superintendente da Bovespa, Gilberto Mifano, durante a cerimônia de início de negociação da Lopes, no último dia 18. Em apenas uma semana, a ação da intermediadora de imóveis subiu 25%.
Outro setor que voltou a se destacar este ano foi o de Sa© úde. Os investidores começaram a prestar atenção nesta área no ano passado, com o ingresso da Dasa. Em 2006, o segmento foi encorpado pela Medial (10,70%), Profarma (33,33%) e Odontoprev (17,07%). ''O setor de saúde se consolidou esse ano, mostrando-se muito interessante em bolsa, com muita procura por investidores estrangeiros'', afirmou o superintendente de renda variável do Banco Safra, Valmir Celestino.
A Vivax mal chegou à bolsa e já está de saída. Os papéis ficaram entre as maiores altas entre as estreantes do ano, mas a disparada foi provocada pela oferta de compra da empresa pela concorrente NET, em 12 de outubro. A operação será realizada em duas etapas. A primeira já foi concluída: a Net comprou uma fatia minoritária da Vivax, de 36,7% do capital. Depois, a maior operadora de TV por assinatura do País pretende adquirir o controle da concorrente, em poder de Fernando Norbert. Mas, para isso, precisa de autorização prévia da Anatel. Se levar o controle, a Net fará uma oferta pelos papéis da empresa em circulação no mercado e, com isso, fechará o capital.
A novata que apresentou pior desempenho em 2006 foi a CSU Cardsystem. A empresa presta serviços de administração de cartões de crédito para terceiros, análise de crédito e telemarketing. As ações ON recuaram 39,11% desde a estréia, em 2 de maio. No mesmo período, o Ibovespa subiu 7,41%.
O lançamento da companhia ocorreu dias antes da Bovespa dar uma guinada para baixo, após uma longa sequência de altas e recordes de pontos, o que ajudou a pressionar os papéis a partir de meados de maio. A bolsa paulista se recuperou no final deste ano, porém o movimento não foi acompanhado pelas ações da CSU. Somente em dezembro, o ativo perdeu 7,5%.
Na avaliação de Valmir Celestino, do Safra, o mau desempenho da CSU está relacionado a um erro de precificação do papel em seu lançamento. ''A CSU é uma companhia que não tem similar no mercado. Empresas assim são difíceis de calcular o preço justo'', afirma, lembrando que o problema de precificação pode afetar o papel para o bem ou para o mal.

mockup