Luciana Pombo
De Curitiba
Eliminação de 7.404 postos de trabalho no Paraná no setor da construção civil e redução de 12% na produção imobiliária de Curitiba durante o ano de 1999. Este foi o saldo do setor da construção civil durante o ano de 1999. Mesmo com um fechamento de ano pessimista, os construtores estão confiantes na retomada do crescimento a partir do ano que vem. De janeiro a setembro de 99 foram liberados em Curitiba alvarás para a construção de 1,5 milhão de metros quadrados, o que significa um aumento de 41% sobre os alvarás concedidos no mesmo período do ano passado. ‘‘Apesar de termos produzido pouco, os construtores estão confiantes. Prova disto são os alvarás concedidos que estão crescendo e poderão se tornar em construções efetivas a partir do ano que vem’’, declarou Eliel Lopes Ferreira Júnior, presidente do Sindicato da Construção Civil do Paraná (Sinduscon).
Também houve redução no número de unidades construídas e entregues de janeiro a setembro deste ano em Curitiba, em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 8,03 mil unidades, uma redução de 21%. Do total de unidades, 7,3 mil foram destinadas para uso residencial e 675 para fins comerciais. A construção horizontal representou 70% do total de imóveis concluídos em Curitiba, localizados predominantemente nas regiões do Cajuru e Xaxim. ‘‘A construção de imóveis horizontais demonstra o momento em que a construção civil está vivendo, de retração. Os imóveis horizontais são mais fáceis de serem comercializados e são destinados para pessoal de menor poder aquisitivo do que os prédios residenciais’’, explicou ele. O número de lançamentos de empreendimentos verticais em Curitiba aumentou 134% entre janeiro e setembro deste ano, se comparado ao mesmo período do ano passado.
O Sinduscon também divulgou uma pesquisa realizada com 94 empresas paranaenses no mês de novembro. De acordo com os dados levantados, 62% das construtoras estão com um crescimento acentuado das despesas e queda no lucro. ‘‘O Custo Unitário Básico subiu 14,27% neste ano, os juros estão altos e os financiamentos para a construção estão escassos. Isto faz com que as despesas subam, mas os preços não podem ser aumentados por causa da demanda, que também é pouca’’, explicou Erlon Motta Ribeiro, vice-presidente do Sinduscon.
Para justificar o otimismo das construtoras em relação ao ano 2000, Ferreira Júnior citou o anúncio do governo federal de crescimento de 4% no ano que vem e o estudo técnico realizado por um grupo de trabalho composto por representantes do Banco Central, Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança e da Câmara Brasileira da Construção Civil para modificar as atuais regras do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). ‘‘Irá surgir um novo modelo, baseado no americano e que contemplará a todos’’, previu ele. As novas regras deverão ser anunciadas e aprovadas até o segundo semestre do ano que vem.

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