Construção e automóveis mantêm ritmo de crescimento
Os segmentos da construção civil e de automóveis - que comercializam bens de maior valor - afirmam que ainda não foram atingidos pela crise financeira. Pelo contrário, os dois setores continuam registrando aumento nas vendas e, portanto, mantendo ritmo de crescimento. O diretor de Marketing da Construtora A.Yoshii, Leonardo Yoshii, afirma que a partir de setembro o número de visitas ao stand de vendas da construtora caiu, mas as vendas foram até maiores do que as registradas em agosto.
''Em momento de turbulência os investidores deixam o mercado financeiro para investir em ativos mais seguros. Tanto que a maioria dos apartamentos vendidos foi para investidores'', diz Yoshii. Na sua avaliação, no próximo ano o mercado estará mais estabilizado e deverá sentir de forma mais clara as nuances da crise financeira. Por isso, a construtora está em compasso de espera para definir seu planejamento até que esteja consolidado o volume de crédito e as taxas de juros, fatores decisivos para os compradores.
O Sindicato das Concessionárias do Norte do Paraná (Sincovave) também aposta em uma manutenção do crescimento do setor. Inclusive, a expectativa é que o segmento registre vendas 30% maiores em dezembro comparado com o mesmo período de 2007. ''Acreditamos que o setor vai continuar aquecido, o problema é só o 'efeito psicológico' da crise. Mas as indústrias estão apresentando novidades e lançamentos, o que deve manter a expectativa de compra nos consumidores'', avalia Carlos Picchi, presidente do Sincovave e diretor da Citroen.
Ele, inclusive, afirma que a apreciação do dólar ainda não influenciou nos preços dos carros importados. Isso ocorre porque, o trâmite de importação de um veículo é de cerca de três meses e, portanto, foram comprados quando a cotação do dólar ainda estava na casa dos R$ 1,60. O mesmo deve ocorrer com os preços dos veículos nacionais, que não devem ter reajuste de preço. ''O único problema será se os juros subirem porque isso afeta o consumidor'', diz Picchi. No entanto, ele ressalva que os juros praticados pela indústria automotiva ainda são bem menores do que os do mercado financeiro.
Enquanto as taxas do cheque especial estão na casa dos 9% ao mês e das duplicatas na casa dos 4% mensais, por exemplo, o juros de financiamentos de veículos são de 1,80% por mês. ''Um ciclo de crescimento não muda tão rápido porque as pessoas já estão com a cultura do conforto e da segurança, proporcionados pelos carros novos'', afirma o presidente do Sincovave. (F.M.)





