A construção civil brasileira deve crescer 5% este ano, de acordo com as projeções dos empresários do setor. Embora expressivo, esse desempenho não será suficiente para recuperar as perdas registradas no ano passado, por conta da desvalorização cambial e das crises externas que afetaram o cenário nacional. A avaliação é do diretor titular do Departamento de Competitividade da Indústria (Decompi) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mário Bernardini.
Com base em dados do IBGE, Bernardini observa que o setor da construção não está apresentando o mesmo desempenho da indústria da transformação. Segundo ele, no primeiro semestre deste ano, a construção civil registrou crescimento de 1,9% ante igual período de 1999, enquanto a indústria da transformação cresceu 4,5% na mesma comparação. Além disso, destaca ele, o primeiro semestre de 1999 é uma base de comparação fraca. ‘‘No ano passado, a construção civil já tinha registrado retração de 3,9% em relação ao primeiro semestre de 1998, o que demonstra fraco crescimento, bem abaixo da capacidade do setor’’, argumenta.
O diretor da Fiesp acredita que o indicador da atividade industrial do País também deve ser avaliado com cautela, uma vez que ele é resultado da média do desempenho de todos os setores. Assim, pondera, a média geral acaba encobrindo a realidade de setores que passam por sérias dificuldades e registram crescimento inexpressivo. ‘‘Pela participação e o peso que têm no PIB, alguns setores com forte crescimento puxam a média para cima, como os materiais de transportes, que cresceram 18,6% no primeiro semestre do ano em relação a 1999, e os materiais elétricos e de comunicação, que registraram alta de 10,4% no mesmo período’’, exemplifica Bernardini.
Segundo o empresário, ainda de acordo com o IBGE, a produção física da indústria da transformação no primeiro semestre de 2000 supera em apenas 3% o registrado no mesmo período de 1987, ‘‘o que significaria perda da capacidade produtiva’’. Para Bernardini, o ganho de produtividade da indústria brasileira foi feito com redução em 50% da mão-de-obra e melhoria de gestão, o que indica uma uma taxa modesta de investimentos. ‘‘Algumas empresas se modernizaram para racionalizar custos. Pouca coisa foi feita para substituição de equipamentos’’, sustenta.
Para atender o crescimento da demanda, propõe Bernardini, o governo federal deverá realizar um novo ciclo de investimentos, com linhas de crédito principalmente para pequenas e médias empresas, que totalize cerca de US$ 35 bilhões por ano. ‘‘Os investimentos para compra de bens de capital somam US$ 20 bilhões por ano, portanto, bem inferior aos créditos liberados na década de 1980, que eram de US$ 25 bilhões ao ano. Ou seja, se a indústria crescer 4%, segundo as previsões, os investimentos deverão somar pelo menos US$ 35 bilhões por ano’’, estima Bernardini.