Construção de Angra 3 ganha força política
Ganha força no Rio de Janeiro o movimento em defesa da construção da usina nuclear de Angra 3, com o apoio de governos municipais, estadual, e do setor industrial. A retomada do empreendimento, paralisado desde os anos 70, deverá ser aprovada na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), possivelmente em julho.
Cálculos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) apontam que, para ser concluída, Angra 3 necessita de investimento de US$ 1,7 bilhão. Segundo a Eletronuclear, administradora do Complexo Angra, os gastos já realizados na usina, contabilizados e atualizados monetariamente até dezembro do ano passado, atingiam a quantia de R$ 1,2 bilhão. Caso o CNPE decida pela retomada das construções, o empreendimento seria concluído em um prazo de 66 meses.
Todo mundo é a favor de Angra 3 e só não instalaram o projeto porque o governo federal não quis, defende o secretário de Energia, da Indústria Naval e do Petróleo do Estado do Rio de Janeiro, Wagner Victer. Segundo ele, em recente consulta realizada pelo governo estadual junto às prefeituras da região de Angra dos Reis, os executivos locais se manifestaram favoráveis à construção da usina.
Gastamos US$ 20 milhões por ano apenas para mantermos em estoque os equipamentos da usina já comprados. Esse projeto virou uma cabeça de bacalhau: a gente sabe que existe alguém contra, mas ninguém nunca viu, afirma. Na avaliação de José Octávio Knaack Campos, membro do setor de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o bom desempenho da usina de Angra 2, cuja operação começou no ano passado, já justificaria a implementação do projeto.
A performance de Angra 2 é extraordinária, pois a usina foi planejada para uma potência de 1.309 megawatts (MW) e hoje já opera acima de 1.350 MW. O coração nuclear do Brasil está no Rio de Janeiro e Angra 3, que complementa as demais, é fundamental par a o momento de crise que enfrentamos, sustenta Campos, lembrando que a potência de Angra 3 seria igual a de Angra 2.
Ele defende ainda que a tecnologia utilizada para a implementação do projeto é totalmente dominada pela indústria e engenharia nacionais. Salvo os equipamentos de instrumentação e controle, o restante pode ser fornecido por indústrias nacionais, argumenta.
Essa possibilidade de participação dos fabricantes nacionais no projeto, diz Campos, também favoreceria o setor de Indústrias Nucleares do Brasil (INB), concentrado no Estado fluminense. Outro argumento apresentado por Victer e Campos para construção da usina que conclui o complexo nuclear de Angra são as reservas de urânio principal combustível da geração nuclear disponíveis no Brasil.
De acordo com a Eletronuclear, com apenas um terço do território brasileiro prospectado, o País já aparece como a sexta reserva de urânio do mundo. A empresa defende que o esforço pela diversificação da matriz energética brasileira é uma estratégia governamental (além de uma tendência internacional) e não poderia ignorar a disponibilidade do urânio como combustível, que permite a geração confiável de uma energia ambientalmente limpa e produzida próximo aos grandes centros de carga. (AE)





