''A Construção Civil precisa de continuidade e de políticas governamentais consistentes que promovam o crescimento do segmento''. A afirmação do presidente do Sindicato das Indústrias da Construção em Londrina (Sinduscon), Junker de Assis Grassiotto, está fundamentada em um levantamento feito pela entidade, o qual servirá de base para gerar o primeiro banco de dados sobre a produção imobiliária do município e que revela o perfil do setor na cidade nas últimas décadas. As informações foram colhidas junto à Secretaria Municipal de Obras, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)e empresas privadas.
O levantamento, que também servirá para traçar um diagnóstico do setor para investimentos futuros, aponta que na última década, principalmente, a redução da produção foi considerável. Em 1996 e 1997, por exemplo, mais de 1 milhão de metros quadrados foram aprovados, contra pouco mais de 500 mil em 2004. O segmento mais deficiente e crítico mostrado na pesquisa foi o industrial: de julho de 2003 a junho de 2005, o setor passou 14 meses sem a aprovação de um único projeto.
''O problema não é a demora na aprovação, é simplesmente a inexistência de projetos'', afirmou Grassiotto. Ele lembra que a década de 70 foi um período forte de industrialização na cidade. Em 1975 foram edificados mais de 80 mil metros quadrados. Mas, desde então, com exceção de 1998, marcado por um ''boom'' no segmento, a construção de indústria em Londrina foi muito pequena ou inexistente. ''Isso está ligado à ausência de política de industrialização que afeta diretamente o nosso setor. A construção civil precisa de incentivos para que não existam esses altos e baixos tão prejudiciais'', observou o presidente do Sinduscon.
Os dados também dão conta da instabilidade nas construções populares. Outro nicho, que na opinião de Grassiotto, precisa ter uma continuidade para equilibrar a construção civil. ''Sem políticas concretas e incentivos, o setor não se desenvolve e deixa de criar empregos'', lamentou. Pelas estatísticas, atualmente, o setor emprega apenas 8% em relação ao número total de empregos gerados na cidade. Dados anteriores do Sinduscon mostram que na década de 80 o segmento chegou a empregar quase 20%. Segundo Grassiotto, o levantamento de dados está sendo um alerta para o poder público analisar futuras políticas.
Pelas estatísticas também é possível perceber os períodos de crescimento das construções residenciais, e os momentos de redirecionamento de mercado. A década de 80, por exemplo, marcou a verticalização de Londrina. No início da década passada, o forte foram as construções unifamiliares e a implantação de loteamentos, o que revelou uma mudança de perfil em produção e consumo de imóveis.
Segundo a engenheira civil Vanessa Giavarina Alves Batista, assessora técnica do sindicato e responsável pelo levantamento dos dados, o principal objetivo da iniciativa é centralizar esses dados do município, que isolados não estavam sendo relevantes. ''Queremos também que daqui um tempo esse banco de dados seja referência para a comunidade, entidades ligadas ao segmento e principalmente investidores'', frisa. Os dados do levantamento podem ser vistos pela internet na página do sindicato: www.sinduscon-nortepr.com.br

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