Construção civil tem saldo positivo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de julho de 2003
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Londrina foi uma das poucas cidades do Brasil que fechou com saldo positivo o balanço de empregos na construção civil, no primeiro quadrimestre deste ano. Dados do Ministério do Trabalho (MT) dão conta de que a cidade teve uma variação positiva de 5,2% nos contratos, contra os saldos negativos de 4,8% em Curitiba e 0,2% em todo o Paraná. Até o final do mês de maio, foram desligados 2.281 funcionários e admitidos 2.405, na cidade. No País, a variação negativa nos postos de trabalho foi de 6,02%.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Londrina (Sintracon), Denilson Pestana, o bom resultado é reflexo dos investimentos que são realizados na cidade. ''Mesmo em época de crise é preciso investir, ter coragem para implantar novos empreendimentos'', acredita Pestana, destacando as obras de algumas construtoras que investem na cidade.
Além de obras privadas como novos loteamentos, edifícios e residências, Pestana lembra as obras públicas como asfaltamento, reformas de escolas, postos de saúde e construção de casas populares que também empregam um bom número de pessoas. ''Os nossos empresários estão mais arrojados'', salienta Pestana, na tentativa de explicar a diferença dos dados com outras cidades.
Segundo o Sintracon, existem aproximadamente sete mil postos de trabalho na contrução civil, em Londrina. Em relação a este dado do sindicato, há uma lamentável estatística da instituição - cerca de 50% dessas vagas são ocupados ilegalmente, ou seja, sem carteira assinada ou qualquer outro vínculo empregatício. Pestana comenta que o sindicato fiscaliza com frequência as obras e realiza denúncia ao MT e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas poucos são os casos resolvidos. ''Parece uma praga'', compara.
De acordo com Pestana, em Londrina, o piso salarial de um servente, o menor do setor, é de R$ 480,00. ''Esse já não é um salário muito alto, mas os funcionários registrados recebem vale-compras e condições mais adequadas para trabalhar'', destaca. Os empregados ''ilegais'', segundo ele, geralmente trabalham por dia e ganham em torno de R$ 12,00. Pestana admite que existe uma parcela de operários desqualificados, mas esse não é o maior problema do setor. ''Se tem gente desempregada é porque não tem emprego'', frisa.
No ano passado, conta o presidente do Sintracon, foi realizado o projeto Construindo o Cidadão, onde foram escolarizados cerca de 1,3 mil funcionários da construção civil.
Este ano, ainda com o objetivo de diminuir a mão de obra não-qualificada e capacitar os operários, foi assinado no início do mês um convênio entre a prefeitura do município, o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) e o Sintracon. O projeto irá atender 140 homens em cursos de capacitação profissional na área da construção civil.
Seis cursos, entre eles de carpintaria, servente de pedreiro e pintor, estão sendo oferecidos, com duração de aproximadamente dois meses e aulas diárias de quatro horas. Segundo o presidente do Sinduscon, José Roberto Hoffmann, a intenção ''é mudar um pouco o perfil dos empregados, até para poder remunerar melhor.''
Hoffmann afirma: ''Estamos em uma era de combate ao trabalho informal e depois do curso, os empregadores vão procurar contratar pessoas que foram qualificadas pelos cursos''. Segundo ele, podem participar das aulas pessoas que trabalham na área ou que estão desempregadas.


