Construção Civil supera crise e segue crescendo
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terça-feira, 08 de dezembro de 2009
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Depois de fechar o ano de 2008 com crescimento de 9%, considerado o melhor resultado dos últimos 20 anos, a Construção Civil tem em 2009 mais um ano de excelentes resultados, o que mostra que os efeitos da crise ficaram para trás para este segmento econômico. A expectativa, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV) é que o setor feche o ano com crescimento entre 2,5 e 3,5%, bem inferior a 2008, mas com previsões de crescimento para 2010 entre 7,5% a 9%, ou seja, em patamares semelhantes ao ano passado.
A avaliação do presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), Hamilton Franck, é de que a crise teve consequências positivas sobre o setor, que em 2009 conseguiu readequar seu ritmo, depois de passar por uma bolha de crescimento em 2008. ''Era muita euforia, as pessoas estavam desesperadas para comprar, nós não conseguíamos formar mão de obra no ritmo que precisava. Agora o mercado está mais maduro, com ritmo mais consistente de construção'', diz.
Até mesmo a indústria de material de construção já começa a dar sinais de recuperação. O setor foi um dos mais sentiram os efeitos pós-crise. Segundo Franck, incentivados pela bolha de consumo de materiais em 2008, eles anteciparam compras e fizeram estoques. O setor privado e muitas famílias, por sua vez, assustados com a crise, postergaram ou cancelaram seus projetos de construir ou reformar.
Para ele, se o setor mantiver o ritmo atual de empreendimentos, terá garantida demanda para os próximos dez anos. Pesquisa feita há um mês pela entidade em Curitiba confirma este cenário de otimismo. Segundo o estudo, 10,5% dos curitibanos, o correspondente a 189 mil pessoas, têm intenção de adquirir um imóvel nos próximos três anos. Estimando a compra de um imóvel para cada três pessoas, significaria a aquisição de 63 mil unidades.
Um indicativo do desempenho da construção é o crescimento do emprego formal. Em outubro de 2009, o setor registrou 119.251 empregados, um crescimento de 4% em relação a outubro de 2008, com a recuperação de todos os postos de trabalho fechados em novembro e dezembro de 2008, no auge da crise. Na Capital, o crescimento foi de 8%. De 53.408 trabalhadores passou para 57.501 em outubro deste ano.
■ No Paraná, só a Caixa Econômica Federal disponibilizou até outubro R$ 2,5 bilhões crescimento de 89% em relação ao mesmo período de 2008
■ No País, os recursos habitacionais somaram R$ 39,3 bilhões 93% superior a 2008, quando foram liberados R$ 20,4
■ O setor mostra ainda recuperação dos postos de trabalho, em outubro o setor registrou 119.251 empregados, um crescimento de 4% em relação a 2008
■ Para 2010, a expectativa é de atingir os mesmos índices do ano passado: entre 7,5% a 9%
Números divulgados ontem pelo Sinduscon-PR mostram que tanto as obras de infraestrutura como as do setor imobiliário têm crescido, em função do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), dos programas de obras públicas estaduais e municipais, e do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.
No Paraná, os financiamentos imobiliários feitos pela Caixa Econômica Federal até outubro somaram R$ 2,5 bilhões, um crescimento de 89% em relação ao mesmo período de 2008. Em âmbito nacional, o aumento foi de 93%, com R$ 39,3 bilhões financiados contra R$ 20,4 no mesmo período de 2008. ''Isso significa que o mercado voltou-se para os pequenos empreendimentos. Em Curitiba, por exemplo, assim como no Paraná e em todo Brasil, imóveis até R$ 150 mil não param na prateleira. Tem uma demanda muito grande'', diz.
Do total financiado em 2009 pela Caixa, R$ 11,17 bilhões referem-se a contratações pelo programa ''Minha Casa, Minha Vida'' do governo federal. Este valor pode chegar a R$ 34,42 milhões até o final do ano, caso sejam efetivas as 2,763 mil propostas de financiamento para construção de 567 mil moradias, recebidas pelo governo até 30 de novembro.


