São Paulo - A construção civil começa a apresentar sinais de crescimento, após cinco anos de recessão. O setor encolheu cerca de 14% neste período e teve queda de 8,66% no ano passado. Mas o principal setor da economia no aspecto da geração de empregos abriu no primeiro trimestre 25,5 mil vagas no País, de acordo com pesquisa da FGV Consult e Sindicato da Construção.
A venda de insumos como cimento, tijolos e outros materiais cresceu 8,4% em março, depois de 12 meses de recuo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A retomada na construção civil foi uma das notícias mais importantes no mercado brasileiro nos últimos dias, pois se trata de um setor onde há maior possibilidade de absorção do contingente de trabalhadores com baixa qualificação profissional. Além disso, ele tem um importante efeito multiplicador na indústria de materiais de construção, na indústria siderúrgica e no setor de serviços.
O aumento das contratações traz alento para pessoas como o ajudante geral José Raimundo de Lima Filho, que passou três anos fazendo ''bicos'' e foi contratado há 15 dias. ''Estou contente, graças a Deus e porque fui insistente'', conta ele, que por um ano inteiro ligou quase todos os dias para o pessoal da obra, que está em construção no bairro Jardins.
Seu colega de obra, o carpinteiro José Genival de Souza, esperou menos pela vaga, três meses. ''É preciso ter um conhecido que recomende o seu nome para o trabalho'', diz. Na obra trabalham 110 pessoas entre contratados e terceirizados.
A construção de imóveis emprega 62% dos trabalhadores do setor. O restante está em áreas como obras públicas e engenharia e arquitetura.
Crescimento - ''É inegável que houve uma inflexão positiva que mudou o sentido da curva de crescimento'', diz o vice-presidente do Sinduscon-SP, Eduardo Zaidan. A expectativa, segundo ele, é de que a construção civil cresça 4,5% neste ano. ''A meta se cumprirá se não houver mudança no cenário econômico'', afirma. ''A construção civil vai crescer naquele setor da economia que mais se desenvolver. Por exemplo, se o agrobusiness crescer, é neste setor que a construção vai encontrar espaço.''
Para a consultora da FGV Consult, Ana Maria Castelo, os números de março indicam melhora na indústria da construção civil, já que o emprego cresceu 0,47% em São Paulo em comparação ao mesmo período do ano passado. ''A tendência de crescimento é positiva'', afirma. A construção civil representa 6,5% do PIB brasileiro, que é de cerca de R$ 1 trilhão.
O diretor de Operações da construtora Gafisa, Mário Rocha, concorda em que os indicadores são positivos e que o setor dá sinais de recuperação. ''Se houver mesmo uma recuperação, ela terá um longo caminho a seguir'', diz.

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