Curitiba - O setor da construção civil deve fechar o ano de 2007 com crescimento acima do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Os resultados do segundo trimestre do ano já apontam nesse sentido: o PIB da construção civil aumentou 6,3% contra uma variação de 5,4% no PIB Brasil. Otimista, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), Hamilton Pinheiro Franck, acredita que esse desempenho é sinal de um desenvolvimento que veio para ficar, tanto que sua expectativa é que em 2008 os lançamentos de novos imóveis aumentem mais 30% em relação a este ano.
''Após 13 anos de estabilidade da moeda, nós começamos a colher frutos, como aconteceu em outros países, que passaram pelo mesmo processo, como Espanha, México e Chile. Eles passaram a ter recursos econômicos com forte crescimento da construção civil, o que nos confirma que se não é apenas um 'boom' da produção. Estamos retomando o crescimento da construção civil, junto com o restante da economia'', avalia Franck.
Para o vice-presidente do Sinduscon-PR, Normando Antonio Baú, outro fator de garantia do futuro mercado consumidor na área é a faixa de idade dos brasileiros. ''Nosso mercado consumidor é muito grande. A pirâmide etária brasileira é uma certeza de que o crescimento da construção não é um vôo de galinha, ele é consistente e firme'', disse.
O bom desempenho da construção civil é consequência do crescimento do mercado imobiliário, que ganhou fôlego novo no último ano, impulsionado pelas facilidades para o consumidor, como a expansão de crédito, redução das taxas de juros e alongamento nos prazos de financiamentos.
Os números que provam este crescimento são evidentes. Em Curitiba, até novembro, foram emitidos alvarás para a construção de 12.286 novas unidades, 20% a mais do que o mesmo período de 2006. Na Capital, até novembro foram lançados 3.144 empreendimentos residenciais verticais, um aumento de 89% em relação ao mesmo período de 2006, quando foram lançadas 1.666 unidades nesse padrão. Como consequência, este ano foram gerados 10.299 novos empregos no setor em todo Estado, sendo a metade em Curitiba.
Para o presidente do Sinduscon, o crédito imobiliário no Brasil pode crescer mais nos próximos anos, em especial o financiamento com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), usado para financiar imóveis para a baixa renda. De 2005 para 2007 esses financiamentos ficaram estagnados na casa dos R$ 5,5 bilhões. Jà os financiamentos com recursos de poupança aumentaram cinco vezes em relação a 2004. Naquele ano foram alocados R$ 3 bilhões da poupança para financiamento de 54 mil unidades no País, números que pularam em 2007 para cerca de R$ 15 bilhões em financiamentos para cerca de 150 mil unidades.
O déficit habitacional, por sua vez, é de 8 milhões de residências no País, sendo 256.177 no Paraná, segundo dados da Fundação João Pinheiro. Quase que a totalidade desse déficit é junto à população de baixa renda. 95% do déficit, segundo Franck, é para quem ganha até cinco salários mínimos. ''Isso só se vai resolver com financiamento subsidiado. Essa população não tem como pagar uma prestação e os investimentos, hoje, ainda são muito tímidos para atender essa faixa da população'', diz. Para ele, uma das formas do governo resolver o problema seria com a isenção de impostos, uma vez que 45% do valor da moradia popular corresponde a tributos. ''Com o dinheiro de uma dava para fazer duas'', finalizou.

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