Construção civil reclama de atraso do novo Plano Diretor
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quinta-feira, 15 de março de 2012
Nelson Bortolin <br> <br> Reportagem Local 
A indústria da construção civil em Londrina aguarda a aprovação do novo Plano Diretor (PD) para expandir seus negócios a outras regiões da cidade. Com o atual plano, não se pode construir edifícios em alguns locais de Londrina como na região do Jardim Botânico e em outras áreas da Gleba Palhano mais próximas ao Catuaí Shopping, na Zona Sul.
As construtoras também querem investir em condomínios empresarias previstos para serem construídos nos extremos leste e oeste da Avenida Saul Elkind, na Zona Norte, o que só será permitido, segundo o Sindicato da Construção Civil (Sinduscon - Norte do Paraná), com a aprovação do novo PD.
De acordo com a legislação, os planos diretores devem ser revistos a cada dez anos. No caso de Londrina, isso deveria ter ocorrido em 2008, mas quatro das nove leis que compõem o PD ainda precisam ser aprovadas na Câmara Municipal: a do Perímetro Urbano, a de Uso e Ocupação do Solo Urbano, a do Parcelamento do Solo Urbano e a do Sistema Viário.
Já foram aprovadas a lei que dispõe sobre as Diretrizes Gerais, a de Preservação do Patrimônio Cultural, o Código de Obras e Edificações, o Código de Posturas e o Código Ambiental.
O presidente do Sinduscon, Gerson Guariente, lembra que o novo plano será o primeiro após a promulgação do Estatuto da Cidade, em 2001. ''A lei exige uma discussão maior com a comunidade. Por isso, foram realizadas diversas reuniões em salões paroquiais, escolas, creches. Foram quase dois anos de reuniões. Depois disso foram feitas conferências, nas quais todos os segmentos puderam participar'', afirma.
Ele reclama que a construção civil trabalha com base nas diretrizes de 1998, quando a mobilidade urbana era muito diferente da atual. ''Mais de 60% da população ativa de Londrina hoje trabalha no Centro. Precisamos levar empregos e infraestrutura para perto de onde moram os londrinenses'', diz Guariente.
De acordo com o empresário, as duas zonas industriais previstas no novo PD para a zona norte podem ajudar nesta tarefa. ''Enquanto o plano não for aprovado, não podemos oferecê-las às indústrias e aproximar os empregos dos trabalhadores da região'', argumenta.
Em relação à parte residencial, Guariente cita a Gleba Palhano como uma das principais a serem desesenvolvidas. ''Muita gente pensa que a Palhano é apenas essa áreas próxima da Avenida Ayrton Senna. Mas ela é muito grande, continua na extensão da Madre Leonia até perto dos condomínios depois do Catuaí'', ressalta. Pelo atual PD, essa área não pode ser verticalizada.
Na mesma situação, lembra o empresário, estão a região do Jardim Botânico e uma grande área atrás da UEL. ''São áreas nobres onde não se pode fazer nada'', reclama. Ele diz que a falta de terrenos na cidade eleva os valores dos que ainda estão disponíveis. ''O mesmo terreno que há 10 anos valia R$ 8 mil, hoje custa R$ 45 mil'', aponta. Com novos terrenos para a construção civil, de acordo com ele, os valores baixariam.
Guariente afirma que as construtoras estão muito preocupadas com a demora na aprovação do novo PD. ''Daqui a pouco teremos de fazer a revisão de 2018 e ainda não temos aprovado o plano que deveria estar em vigor em 2008'', declara.



