Curitiba - Pequenas e médias empresas da construção civil no Paraná estão reivindicando o direito de recolher impostos pelo sistema Simples, o que diminuiria de forma expressiva a carga tributária que pesa sobre o setor. Para se ter uma idéia 44% do custo de uma casa popular hoje correspondem ao pagamento de impostos.
De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) do Paraná, Ramon Andres Doria, mais de 90% das empresas do setor têm menos que 50 empregados e poderiam estar recolhendo bem menos tributos.
O peso da carga tributária como impedimento do reaquecimento econômico foi o tema que dominou a primeira fase de um ciclo de debates promovido pelo Sinduscon Paraná, em comemoração aos 60 anos da entidade. Participaram do encontro os deputados federais do Estado Paulo Bernardo (PT), Eduardo Sciarra (PFL) e Luiz Carlos Hauly (PSDB). O deputado federal César Silvestri (PPS), outro convidado, não compareceu.
Os participantes do encontro foram unânimes em reconhecer que enquanto a classe média não recuperar seu poder de compra dificilmente haverá reaquecimento econômico, fator de estímulo aos investimentos na construção civil. De acordo com Dória, os investimentos do setor foram diminuindo à medida que a classe média foi perdendo renda.
Outra alternativa discutida durante o encontro foi a possibilidade de composição de uma cesta básica da construção civil de moradorias populares para que itens como ferro, aço, madeira, cimento, bloco de concreto, tubo de PVC fossem isentos de impostos. Dória admitiu essa possibilidade é mais difícil de ser concretizada porque até agora os governadores foram contrários com temor de perder arrecadação.
O deputado Eduardo Sciarra criticou o avanço da carga tributária sobre o setor produtivo, ''que não permite que sobre dinheiro para os investimentos''. Ele apresentou estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBTP) que mostra que o brasileiro destina quase 40% de seus ganhos para pagar impostos. Sciarra lamentou que até agora não foi feita uma reforma tributária que de fato desonerasse o País.
Hauly foi mais duro em sua análise. Segundo ele, o sistema tributário vigente acabou com o País e ''seguramente é um dos piores do mundo''. Para o deputado, atualmente o Brasil vive para pagar a folha de pagamentos e a dívida. ''Não há investimentos no crescimento econômico'', salientou.
O deputado Paulo Bernardo (PT), aliado do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concordou com a possibilidade de desonerar produtos de uma cesta básica da construção civil. Sobre investimentos, o deputado disse que o governo federal deverá recorrer às parcerias público-privadas, as chamadas PPPs para promover investimentos em infra-estrutura como portos, rodovias, ferrovias.

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