Construção civil quer política de incentivo
Cláudia Lopes
De Londrina
O setor da construção civil está reivindicando, junto ao governo federal, a criação de mecanismos que alavanquem os negócios e, consequentemente, aumentem a geração de mão-de-obra no Brasil. Amanhã, o Movimento Nacional dos Empresários e Trabalhadores da Construção tem audiência marcada com o presidente Fernando Henrique Cardoso, em Brasília, para discutir propostas elaboradas por donos de construtoras e empregados de todo o País.
Vamos entregar ao presidente da república um documento com as reivindicações do setor, disse Clóvis Coelho, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon), que participará da reunião. Em Londrina, houve uma queda tanto na quantidade de empresas como na geração de empregos por conta do fim de políticas que, na opinião dele, inviabilizaram as construtoras.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Londrina, Denilson Pestana Costa, nos últimos 13 anos o número de empresas diminuiu de 150 para as atuais 60 na cidade. Em 1986, 13 mil pessoas trabalhavam na construção civil em Londrina. Hoje, são três mil, afirmou.
Com o término de algumas obras que deverão ser entregues no próximo mês, ele calcula uma queda ainda maior. Cerca de 500 trabalhadores perderão o emprego até o próximo dia 20, calcula Costa, que também vai a Brasília na terça-feira. Cada vaga criada numa obra gera mais três empregos na cadeia produtiva, segundo o Sinduscon. Em média, são necessários 120 operários para erguer um prédio de 40 apartamentos.
Uma das principais propostas dos empresários do setor é que o governo volte a liberar financiamentos direto às construtoras com recursos do FGTS, segundo Clóvis Coelho. A prática, comum na década passada, poderia aumentar o número de obras e de trabalhadores na construção civil. Depois que o governo começou a repassar a verba apenas para os mutuários e companhias de habitação, o setor enxugou.
Para Denilson Costa, um dos problemas é que há cinco anos não existe recursos no orçamento geral da União para financiar moradias. O governo só conta com o dinheiro do fundo de garantia. Só que, ao repassá-lo às companhias de habitação, está colaborando para o aumento do trabalho informal no Brasil, disse. É que estas companhias constroem através de associações comunitárias, que não recolhem impostos e, portanto, não realimentam o FGTS, explicou.
Clóvis Coelho disse que a categoria defende a manutenção e direcionamento de recursos aplicados em caderneta de poupança para o financiamento habitacional. O Banco Central afrouxou a vigilância junto aos bancos particulares que, aos invés de investir em habitação com parte destes recursos como prevê a lei, passaram a especular, disse.
Outra reivindicação é a substituição da TR como indexador das operações no setor e a diminuição dos juros nos financiamentos. Queremos a utilização de um outro índice ligado a construção como o INPC. A TR é um indexador financeiro que não tem relação com nossas matérias-primas, reforçou Coelho.Movimento Nacional dos Empresários e Trabalhadores do setor vai pedir a FHC mecanismos que alavanquem os negócios
Paulo WolfgangEM CRISEPara empresários da construção, fim de incentivos causou queda na quantidade de empresas e na geração de empregos. Clóvis Coelho, do Sinduscom (ao lado), diz que setor quer que governo volte a liberar crédito direto às construtoras com recursos do FGTS





