Apesar do grande peso que o consumidor individual adquire ao longo das transações, os dados mostram o avanço dos compradores industriais e finais nos últimos anos. Isso reflete a industrialização da construção civil, que recorre cada vez mais à racionalização das obras para cortar custos e aumentar a produtividade. Para tanto, investe em elementos pré-moldados e estruturas autoportantes. É para esses mercados que as cimenteiras pretendem se voltar, cada vez mais.
‘‘Em países desenvolvidos, o consumidor industrial reponde por 70%, 80% das vendas’’, afirma o diretor de Projetos e Aplicações da ABCP, Alexander Capela Andras. Para o secretário-executivo do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic), José Otávio de Carvalho, ‘‘não é o consumidor final que está comprando muito; são os outros segmentos que estão comprando pouco’’.
Carvalho observa que isso tem implicações como o baixo consumo per capita do produto no Brasil. Em 2001, o País produziu 39,6 milhões de toneladas de cimento e consumiu 39,4 milhões de toneladas. Os números põem-no como sexto maior produtor e consumidor mundial de cimento.
Apesar disso, o consumo per capita brasileiro recuou de 242 quilos por habitante, em 1999, para 232 quilos, em 2001. Como comparação, em 1999, Cingapura registrava 1.486 quilos por habitante; Portugal, 1.024 quilos; Coréia do Sul, 970; Japão, 562; Estados Unidos, 384, e México, 287.
A opção pelos consumidores industriais parte de um princípio simples: o cimento, em si, é uma comoditie com limitações claras. Uma delas, por exemplo, é que o produto não pode ser comercializado a longas distâncias porque não resiste a um frete elevado. A consequência é que fábricas e consumidores precisam estar relativamente próximos.

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