A crise financeira - deflagrada há pouco mais de um mês em todo o mundo - ainda não afetou o mercado estadual da construção civil. O setor continua em plena expansão, apresentando um dos maiores índices de geração de empregos e com as vendas do varejo também em crescimento. A expectativa da Federação das Associações de Comerciantes de Material de Construção (Fecomac-PR) é que este ano seja encerrado com um aumento de 10% nas vendas na comparação com 2007. Até setembro, o número de novos postos de trabalho cresceu 24,15% em Londrina e 24,24% no Paraná na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego (veja quadro).
''A construção civil não apresenta nenhum sinal de desaceleração. Pelo contrário, ainda faltam funcionários; as empresas não estão conseguindo contratar'', afirma Roberto Gonçalves, gerente da Agência do Trabalhador de Londrina. Ele lembra que empreiteiras e construtoras continuam suas obras e que estão sujeitos a prazos e contratos. ''Inclusive temos vagas em aberto. Muitas empresas estão investindo em cursos para formação de mão-de-obra. O setor continua bastante aquecido'', comenta sem citar números. Na sua avaliação, se a crise causar algum reflexo na região as interferências devem aparecer a partir da segunda quinzena do próximo mês, quando novas obras poderão não ser lançadas.
''Mas, no geral, no final do ano sempre aumenta a geração de empregos e costuma faltar mão-de-obra. Com o lançamento de dois shoppings na cidade a procura por trabalhadores está bem forte'', observa Gonçalves. Mesma percepção tem o presidente da Fecomac-PR, Adriano Montanari, que afirma que os reflexos da crise financeira ainda não chegaram às lojas. ''Por enquanto estamos percebendo apenas uma preocupação com os créditos futuros, mas ainda nada com clareza. Ainda não há qualquer restrição na oferta'', salienta. Mas há preocupações com o cenário de crise e com a sua duração. A avaliação é que se a turbulência persistir, poderá sim afetar o setor a partir do próximo ano.
Por enquanto, houve um leve recuo - de 2% a 3% - no preço do aço. A explicação é que o metal é uma commoditie e, por isso, sua cotação está diretamente ligada ao mercado internacional. Analistas já haviam sinalizado para uma queda de preços nos minérios no caso de uma recessão, antes de qualquer variação negativa nas cotações das commodities agrícolas. ''A queda (de preços) para o consumidor é mais lenta porque as lojas trabalham com estoques'', diz Montanari. Segundo ele neste mês o consumidor ficou mais retraído mas devido à paralisação dos bancários. ''A greve atrapalhou bastante, principalmente, o 'mercado formiguinha''', diz.

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