Construção civil eleva IGP-DI a 0,16%
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de junho de 2007
Alessandra Saraiva<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - Com os preços da construção civil em alta no mês de maio, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) teve leve aceleração: subiu 0,16%, ante elevação de 0,14% em abril. Para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que anunciou ontem o índice, mesmo com a taxa maior o cenário da inflação permanece com boas perspectivas e os IGPs devem encerrar 2007 em torno de 4%.
Embora não seja mais usada para reajustar a tarifa de telefone, o IGP-DI, acumulado em 12 meses, ainda é usada como indexador das dívidas dos Estados com a União. Até maio, o indicador acumula elevações de 1,8% no ano e de 4,38% em 12 meses. No mês de maio, apenas os preços da construção civil registraram aceleração na comparação com abril, entre os três componentes de cálculo (além da construção, os preços no atacado e no varejo). A aceleração do IGP-DI em maio deve-se mesmo à construção, disse o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros.
O economista explicou que o indicador da construção está sendo pressionado por dois fatores: o impacto dos dissídios salariais nos preços do segmento de mão-de-obra e uma tendência de alta nos preços de metais importantes relacionados ao setor da construção, principalmente aço. Quadros explicou que, no setor de mão-de-obra, houve dissídio em seis capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Brasília, Fortaleza e Goiânia.
No mês de junho, o impacto desses dissídios (na inflação) estará no auge, disse. Os reajustes estão na faixa de 5% a 6% nem a metade disso ainda impactou a inflação de São Paulo, acrescentou, considerando que a capital paulista é a de maior peso no cálculo do índice.
No caso dos metais, os preços são influenciados também por dois fatores: demanda aquecida no setor da construção civil no mercado interno e alta de preço do aço no mercado internacional. Quadros lembrou que o mercado externo está também bastante aquecido, influenciado pela demanda chinesa. Como exemplo, o economista citou o preço do aço CA-50 e CA-60, tipo vergalhão, que subiu 1,43% em maio, ante alta de 1,23% em abril - a elevação mais intensa desde novembro de 2004, quando o preço subiu 2,51%. Outros exemplos de aceleração de preços no setor, de abril para maio, foram altas mais expressivas nos preços de tubos e conexões de ferro e aço (de 0,78% para 2,05%) e de condutores elétricos (de 2,19% para 2,57%).
Ainda segundo a FGV, de abril para maio, os preços do atacado passaram de uma alta de 0,02% para queda de 0,04%. Já a elevação nos preços no varejo passou de 0,31% para 0,25%, no mesmo período.


