Construção civil e agronegócio ainda não foram afetados
É preciso achar formas de manter os empregos, principalmente, nos setores que receberam incentivos do governo, como foi o caso das montadoras. A afirmação é do presidente da CUT-PR, Roni Anderson Barbosa. ''Há segmentos que não têm dificuldade e estão aproveitando para fazer ajustes'', disse.
Ele considera a redução de jornada um meio eficiente para evitar demissões, mas não concorda com a redução de direitos e de salários. Segundo Barbosa, a CUT pretende organizar os trabalhadores para não deixar as demissões ocorrerem. ''Não justifica começar a demitir em janeiro sem saber como a economia vai se comportar'', destacou.
Há dois setores que ainda não foram afetados pelas demissões, ao menos no balanço do ano inteiro de 2008: a construção civil e o agronegócio. ''O setor vive o outro lado da moeda'', disse o vice-presidente do Sinduscon-PR, Normando Antonio Baú. Segundo ele, a construção está com falta de mão-de-obra qualificada. ''O ciclo de produção do nosso produto é diferente de um carro, por exemplo. Um prédio demora dois anos para ficar pronto'', disse.
De janeiro a dezembro de 2008, o setor criou 197.868 mil postos no Brasil, 13.713 no Paraná e 6.996 em Curitiba. De janeiro a dezembro de 2007, foram 176.755 vagas no Brasil, 8.011 no Paraná e 3.865 em Curitiba.
''A geração de empregos deve continuar, talvez não nessas proporções'', prevê. Segundo ele, o setor recebe crédito porque vem basicamente da caderneta de poupança e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
O agronegócio ainda não foi afetado pelas demissões, segundo o assessor técnico econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque. ''A nossa crise vai começar a partir do final de fevereiro quando inicia a comercialização da safra'', disse. Ele acredita que os produtores vão sentir o impacto na hora de vender o produto.
Albuquerque prevê que em um cenário negativo, o setor será afetado por uma crise nas vendas. ''Ninguém sabe como vão estar os preços daqui dois meses'', afirmou. (A.B.)





