Construção civil busca reduzir acidentes
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quinta-feira, 10 de outubro de 2002
Denise Angelo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Durante o ano de 2000, 23 trabalhadores morreram na construção civil do Paraná e 73 ficaram permanentemente incapacitados. O número é da Delegacia Regional do Trabalho e refere-se apenas aos trabalhadores de empresas formais. A estatística mostra que o setor ainda é o que mais compromete a saúde do trabalhador em decorrência de acidentes. Mas o cenário real pode ser ainda pior. A maior parte dos acidentes nem chega a ser registrada, porque acontece com operários que trabalham na informalidade.
Para reduzir esses índices, o Sindicato da Construção Civil, através do Serviço Social da Construção Civil, está realizando um seminário de Atualização para Prestadores de Serviços, ou seja, os empreiteiros, que assumem uma fatia cada vez maior do mercado.
Segundo o engenheiro de segurança do trabalho do Sistema Sinduscon, Bruno Bilbao, as empresas que desenvolvem programas de segurança conseguem reduzir significativamente o número de acidentes. O próprio Sinduscon mantém um programa de segurança que é aplicado em 230 empresas de Curitiba, atingindo 6,3 mil operários. Nessas empresas os acidentes aconteceram, mas nenhum trabalhador morreu em decorrência deles.
Bilbao conta que os carpinteiros são os que mais se machucam dentro de uma obra, respondendo por 36% das ocorrências. O período matutino, das 7 horas às 10 horas, concentra 40% dos acidentes. A média nacional de quedas de um nível para outro é de 10%, mas nas empresas paranaenses que estão implantando sistemas de segurança, essa média já caiu para 8%. A importância de reduzir esse tipo de acidente está na gravidade das sequelas que deixa. ''A média está baixa, mas esse tipo de acidente normalmente é muito grave'', explica.
Os programas de segurança do Sinduscon começaram a ser implantados em 1996. Naquele ano, a média era de 7,26 acidentes por milhão de horas/homem de trabalho. Em todos os anos subsequentes houve redução desse índice, de maneira que, em 2001, ficou em 1,56 por milhão de horas/homem de trabalho.
Além de falar sobre segurança, no seminário os empreiteiros receberão informações sobre legislação comercial, legislação de segurança e saúde ocupacional, contribuição adequada ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), composição de custos e sobre o papel do sindicato. O encontro se encerra hoje, no auditório do Seconci.


