A construção civil está mais industrializada. A retomada dos programas de habitação popular fez com que as construtoras do país buscassem alternativas para produzir casas em massa e a preços reduzidos.
O método mais adotado é a parede de concreto. O sistema usa formas do tamanho de casas, que são montadas no local da obra e depois recheadas com concreto, já com as instalações hidráulicas e elétricas embutidas. Com isso, o tempo de construção de uma casa cai de 70 dias, na alvenaria comum, para 20 dias no novo método.
A Rodobens Negócios Imobiliários começou a usar esse sistema a partir de 2006 e hoje já aplica o modelo para todos os 26 projetos que constrói para o programa habitacional do governo federal ''Minha Casa, Minha Vida''. De acordo com o diretor-presidente da empresa, Eduardo Gorayeb, ''a economia nas paredes de concreto pode chegar a 10% em relação à alvenaria convencional''. ''Outra vantagem é a padronização. Quando eu uso molde, elimino o fator mão de obra e diferenças de material'', diz Geraldo Cesta, diretor técnico da empresa.
Na BS Engenharia, a industrialização do processo construtivo foi levada ao pé da letra. A construtora monta uma fábrica para a produção de cômodos inteiros pré-moldados, já com toda a instalação hidráulica e elétrica embutida. ''A casa já chega com 70% do trabalho feito dentro da fábrica e em menos de 48 horas está pronta para morar'', diz Sidney Borges, proprietário da empresa.
Além da velocidade e da economia de custos, os métodos industriais também reduzem o desperdício. Na alvenaria convencional, depois de erguida a casa, as paredes têm de ser quebradas para a instalação hidráulica e elétrica, o que produz entulho. Além disso, o acabamento das paredes requer a aplicação de camadas de cimento, o chapisco e o reboco. ''Na parede de concreto, após desenformada, a casa já está pronta para ser pintada'', diz Ary Fonseca Junior, da área de desenvolvimento de mercado da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).
A utilização dessa tecnologia já mudou também as projeções de outros setores da construção. A Votorantim Cimentos, por exemplo, prevê que 70% do mercado total de habitação popular no Brasil vai ser de paredes de concreto. ''Isso vai gerar uma necessidade de 4 milhões de metros cúbicos de concreto, o equivalente a 15% do mercado de concreto hoje'', diz Álvaro Luís Velozo, diretor do Negócio Concreto da Votorantim Cimentos. A ABCP tem uma projeção mais conservadora, considera que 50% dos projetos do ''Minha Casa, Minha Vida'', vão utilizar o método de paredes de concreto.

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