Construção ameaça demitir até 7 mil
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quarta-feira, 03 de dezembro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Kraw PenasTroca de índicesO presidente do Sinduscon, Gustavo Berman, defende o fim da TR no cálculo poupança para contornar a crise. No lugar, entraria o IGP-MOs empresários da construção civil ameaçam iniciar uma onda de demissões de trabalhadores se o governo federal não adotar medidas a curto prazo que baixem as taxas de juros reajustadas no início de novembro. As demissões poderiam atingir até 7 mil funcionários que trabalham no setor imobiliário. O volume de fechamento de postos de trabalho representaria até 30% do segmento ou 10% se a comparação se estender a toda área da construção civil (imobiliária mais construção pesada). Os construtores ameaçam ainda reajustar em até 15% o preço dos imóveis entregues a partir do segundo semestre do próximo ano, numa tentativa de recompor custos.
O Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) endurece o discurso e faz previsão nada otimista na tentativa de sensibilizar o governo. Agora começa o desemprego e ele vai se estender à medida que houver a manutenção da taxa de juros acima do normal, afirmou o presidente do Sinduscon, Gustavo Berman. Por enquanto, o sindicato não tem um balanço do volume de demissões.
O setor da construção civil emprega 200 mil trabalhadores em todo o Estado, sendo que 75 mil estão na Região Metropolitana de Curitiba. A maioria trabalha no setor imobiliário. Os que trabalham na construção pesada não devem ser prejudicados com a recessão anunciada, acredita Berman. Como o governo do Estado lançou as obras do Anel de Integração (concessão de rodovias à iniciativa privada), as empreiteiras deverão gerar emprego neste segmento, acredita.
Uma das alternativas para enfrentar a crise proposta pelo Sinduscon, é a mudança no cálculo de reajuste da poupança. O sindicato quer que a poupança seja desvinculda da Taxa Referencial (TR). A preferência recai sobre o índice de correção da Fundação Getúlio Vargas, o IGPM, que mede a inflação mensal. A TR era de 0,6% ao mês e passou para 1,9%. As parcelas do financiamento da casa própria são calculadas com base na TR mais 1% de juro em média.
Quase 60% do custo de uma obra depende dos financiamentos, que também são calculados com base na variação da TR. O Sinduscon aposta numa estagnação na construção de novas obras. O setor vinha apresentado números positivos neste ano até o início da crise mundial nas Bolsas de Valores. O volume de execução de obras cresceu 40% de janeiro a setembro deste ano em relação ao ano passado. Houve aumento também no número de unidades entregues. O crescimento foi de 16% no mesmo período.


