Construção acelera alta do IGP-DI
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segunda-feira, 08 de junho de 2009
Alessandra Saraiva<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A reviravolta nos preços da construção civil (de -0,04% para 1,39%) de abril para maio levou à taxa maior do IGP-DI, que subiu 0,18% no mês passado, após avançar 0,04% no mês anterior. Praticamente 100% da aceleração do IGP-DI foi causada pelo INCC-DI (Índice Nacional de Custo da Construção), afirmou. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, houve fortes acelerações de preços em serviços (de 0,25% para 0,81%) e, principalmente, em mão-de-obra (de 0,58% para 3,49%), no período.
Os serviços da construção estão com taxa de inflação mais forte devido à alguns sinais de aquecimento no setor, que foi beneficiado recentemente com a redução do IPI em alguns materiais de construção. Entre os destaques estão as acelerações de preços em aluguel de máquinas (de 0,22% para 0,42%); e serviços de carreto para retirada de entulhos (de 0,01% para 0,58%).
Entretanto, foi o setor de mão de obra que mais colaborou para o avanço da taxa do INCC. Quadros lembrou que essa época do ano é conhecida historicamente como a do auge do INCC mensal, visto é o mesmo período em que são resolvidos os dissídios salariais do setor.
Para Quadros, os IGPs em 2009 podem registrar taxas anuais abaixo de 3% com folga. Para Quadros, no caso do IGP-DI, o índice está caminhando para uma taxa cada vez menor. Isso porque as taxas referentes aos meses de junho e de julho do ano passado, respectivamente de 1,89% e de 1,12%, são muito elevadas e devem ser substituídas na série de 12 meses por taxas menores, referentes aos meses de junho e de julho esse ano.
O economista comentou que não há cenário, atualmente, para a inflação mensurada pelo IGP-DI e pelos IGPs disparar e atingir taxas mensais acima de 1,50%. O INCC deve diminuir de ritmo em junho. Além disso, o IPA (que representa 60% dos IGPs) conta ainda com muitos preços em queda e em desa-celeração, afirmou o economista, lembrando que, em maio, o IPA-DI repetiu deflação apurada em abril (de -0,10%).
Outro ponto destacado pelo especialista, que pode ajudar a manter o IGP-DI de junho em patamar comportado é o câmbio. De abril para maio, o segmento de materiais para manufatura, termômetro da influência cambial na inflação do atacado, passou de -0,96% para -0,78%.
Na avaliação de Quadros, o IGP-DI de junho deve ser menor do que o de maio, mas ainda no terreno positivo.


