Consórcios investem no setor de imóvel
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sábado, 27 de setembro de 1997
Cláudia Lopes Londrina 
Marcos BorgesNovo mercadoRodolfo Montosa, diretor da União: consumidor terá a opção da carta de crédito e também a do consórcio vinculado a uma construtora em LondrinaA abertura do sistema de consórcio para imóvel já está levando tradicionais administradoras do setor automobilístico também para o segmento imobiliário. A partir deste mês, está liberada a formação de grupos para compra de terrenos, imóveis comerciais, rurais e para construção e reforma. Antes, eram autorizados somente consórcios para imóveis residenciais. Os prazos também ficaram mais atrativos para o consumidor: subiram de 100 para 180 meses.
Em Londrina, empresas resolveram diversificar seus negócios. A União Administradora de Consórcio, empresa do grupo da Marajó e Bella Via Automóveis, começa a atuar no setor de imóveis em outubro. Com grupos de 200 pessoas e prazo de pagamento de 100 meses, a União pretende oferecer novos produtos para os seus 15 mil clientes ativos do segmento de consórcio de automóveis e outros potenciais compradores. Teremos o consórcio vinculado, que lançaremos em conjunto com uma construtora da Cidade, e o de carta de crédito, diz Rodolfo Montosa, diretor da União.
Os créditos vão variar de R$ 24 mil a R$ 60 mil, com um lance e um sorteio mensal. A União cobrará cerca de 0,17% de taxa de adminstração ao mês sobre o valor total do crédito. Em 100 meses, o cliente pagará uma taxa de 17%. No mercado financeiro, chega a 20% ao ano, diz Montosa.
Ele afirma que os usuários do sistema financeiro também poderão usar o consórcio para quitar seus imóveis. Se o prazo do financiamento for longo, é vantajoso utilizar o recurso do consórcio para saldar a dívida. O consórcio pode ser uma boa alternativa para fugir dos juros altos do sistema financeiro e do aluguel.
A União já tem cerca de 80 reservas de compras de consórcios de imóveis. Destas, 60% referem-se a imóveis residenciais. O restante será dividido na compra de terrenos e imóveis comerciais, diz Montosa. Segundo ele, o primeiro sorteio deve acontecer em novembro. As prestações mensais para quem pegar um crédito de R$ 30 mil devem ser de R$ 384, calcula. A empresa, que atua no setor de consórcios para veículos há 20 anos, não exige renda mínima para entrar no sistema.
Os consórcios de imóveis são uma alternativa mais barata para quem quer comprar um bem. As linhas do sistema financeiro são praticamente inacessíveis. O usuário paga todo mês mas tem impressão de que nunca vai conseguir amortizar o saldo devedor. Já no sistema de condomínio, o problema é a morosidade, diz Montosa. Além disso, um comerciante pode adquirir sua loja no primeiro mês, se for contemplado no início do plano. Se aplicasse mensalmente na poupança, só conseguiria efetuar a compra do imóvel ao final de alguns anos.
A Autobens Administradora de Consórcios, que opera no setor de automóveis, caminhões e motos há dez anos, também prepara uma opção de consórcio de imóveis para colocar no mercado em outubro. O diretor geral da empresa, Francisco Oliveira, conta que por enquanto só vai disponibilizar o consórcio vinculado, ou seja, a venda de um empreendimento em parceria com uma construtora de Londrina. O nome da construtora ainda não está definido. Temos estudado várias ofertas, conta.
Com taxas de administração entre 10% e 12%, a mensalidade para quem solicitar crédito de R$ 10 mil, em 100 meses, por exemplo, deve ser de R$ 112 - corrigida pelo CUB. Oliveira diz que os próprios clientes é quem decidirão em assembléia se vão pagar algum tipo de seguro ou fundo de reserva. A Autobens financiará entre R$ 10 mil e R$ 100 mil com prazos que variam de 100 a 180 meses. O plano livre para compra de imóveis comerciais, rurais e terrenos vai depender da resposta do mercado. A empresa tem uma carteira de quatro mil clientes no consórcio de automóveis.
Há um ano, o Consórcio Nacional Geral Record trabalha com imóveis residenciais, além do setor automotivo. A gerente Claudi Lopes Rodrigues diz que tem dois grupos fechados, cada um com 200 participantes. A diferença é que a partir de agora não precisaremos nos restringir a imóveis residenciais. As cartas de crédito, no Nacional Geral Record, variam de R$ 10 mil a R$ 150 mil e podem ser usadas para comprar, construir ou reformar imóveis. Somadas, a taxa de administração, fundo de reserva e seguro de vida totalizarão pouco menos de 16% do valor do crédito. Em um plano de 100 meses para empréstimo de R$ 100 mil, por exemplo, o consorciado pagará aproximadamente R$ 116 mil ao final do contrato. Claudi diz que, como a procura aumentou nos últimos dias, resolveu abrir um novo grupo, que também terá prazo de 100 meses.


