Consórcios fazem depósitos de garantias
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de abril de 1997
Agência Estado 
RIO - O consórcio formado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) para disputar a Vale do Rio Doce, no leilão de privatização, depositou ontem garantias no valor de R$ 3,2 bilhões na Câmara de Liquidação e Custódia (CLC) da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Esse depósito é exigência para participação no leilão que pode acontecer hoje, quando o governo pretende vender 99.993,257 de ações ordinárias da Vale e os acionistas minoritários venderão 4.858,436, somando 104.851,693 ações. Esses papéis representam R$ 2,780 bilhões, equivalentes a 41,9% das ações ordinárias da Vale.
Ao contrário dos demais leilões, no da Vale será permitido aos consórcios dar lances superiores ao valor da garantia depositado. Outra novidade no processo é a fixação de uma multa de R$ 530 milhões no caso de o consórcio vencedor não efetuar o pagamento. É uma forma de evitar que o consórcio dê um lance maior que o valor da garantia e não honre o pagamento, disse o diretor-geral da CLC, João Batista Fraga. Caso o leilão seja realizado hoje, a CSN será representada pela corretora Fonte-Cindam, onde será montado o QG do grupo liderado pelo empresário Benjamin Steinbruch, presidente do Conselho de Administração da siderúrgica.
O grupo Votorantim pretende atuar por intermédio da corretora Bozano, Simonsen, também no Rio de Janeiro, que deverá abrigar todo o grupo formado pelo consórcio formado por Antônio Ermírio de Moraes. O Banco do Brasil concedeu duas cartas de fiança aos grupos Votorantim e CSN para participarem do leilão. As cartas, no valor de R$ 500 milhões, foram apresentadas à CLC ontem, como garantias para presença dos dois consórcios no leilão. Os dois grupos negociam com o BNDES empréstimos no valor de R$ 600 milhões.
As especulações em torno do ágio do leilão da Vale oscilam entre diversos patamares. No BDNES, executivos envolvidos com a privatização da Vale, inclusive o vice-presidente do Banco, José Pio Borges, duvidam que o ágio possa superar os 30%, mas há observadores que apostam num ágio superior a 45%.


